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sábado, 5 de dezembro de 2015

Um pouco de história: Giannini Stratosonic Pro - Made in Brazil 90'


Olá amigos, a guitarra que trago hoje para a coluna "Um pouco de história" pertence a um grupo seleto das melhores Stratocasters já construídas em solo brasileiro, e afirmo, sem dúvidas nenhuma: é a melhor Stratocaster construída pela Giannini, desbancando todas as suas antecessoras. Como cheguei a tal conclusão? Através de um método muito simples utilizado pelo cientificismo popular: a comparação. Nesse caso, comparei a Giannini Stratosonic Pro com dois modelos construídos pela Giannini no mesmo período (anos 90). A Fender Southern Cross (construída pela Giannini) e a Giannini Stratosonic do mesmo período.




A Giannini Pro foi lançada em meados dos anos 90 (mais para o início) concomitante ao lançamento da Fender Southern Cross no Brasil, também construído na planta da Giannini. Acredito que tenha sido lançada praticamente no mesmo período para competir mercado com a Fender Southern Cross, causando um pequeno problema em razão disso. Como as pessoas preferiam comprar a Southern Cross em razão do logo Fender no headstock, em teoria é bem provável que a Giannini Pro tenha dado uma "encalhada" nas vendas.. e exatamente por isso, criaram-se poucas unidades. Devido a pequena tiragem  (pequena produção) se vendeu muito pouco, hoje é praticamente impossível de se conseguir ou de se achar essa guitarra. A tiragem da Southern Cross também foi baixa, apenas 5000 unidades, embora ainda se encontre facilmente anunciadas a venda por aí. Certamente a tiragem da Giannini Pro foi bem abaixo desse número, provavelmente muito menos da metade desse número, levando em comparação os números da produção da Fender Southern Cross ditas pelo nosso saudoso Carlos Assale, presidente da empresa na época e responsável direto pela maioria desses projetos, inclusive dessa Fender em solo brasileiro.




Mas ninguém pode dizer que a Giannini não tentou: para conquistar os clientes e fazer um pouco mais de frente para as Southern Cross do mesmo período, as guitarras eram muito bem construídas e saíram de fábrica com um hardware diferenciado, os captadores eram os EMG Select e esses eram dez vezes superiores aos limitadíssimos single coil em cerâmico equipados nas Fender Southern Cross para o mercado brasileiro.




Analisando alguns aspectos, chegou-se a conclusão: a Giannini Pro bate as duas na maioria dos critérios.

Aspectos avaliados:

Construção: Aqui a Giannini Pro bateria as outras duas por apresentar, na minha opinião, melhor encaixe entre as partes e melhor construção em relação ao corpo e ao shape do braço, tornando-a mais confortável.

G.Pro: Nota 8,0
Southern Cross: Nota 7,5
G.Stratosonic: Nota 7,0




Acabamento: Nesse item a Giannini Pro (apesar de ter uma linda cor) perderia para as outras SC. O modelo avaliado possui uma linha marcada indicando a junção dos blocos de madeira, problema também aparente na grande maioria das Giannini Stratos dos anos 90, ainda não vi isso nas Southern Cross, mas é possível que também possa ver o problema.

G.Pro: Nota 7,0
Southern Cross: Nota 7,5
G.Stratosonic: Nota 7,0


Shape do corpo: Nesse quesito a Giannini Pro bate fácil as outras duas. Levei em consideração o shape padrão da Stratocaster criada pela Fender, foi utilizado então o conceito da Fender dos anos 50' e 60' respectivamente.

G.Pro: Nota 8,0
Southern Cross: Nota 7,5
G.Stratosonic: Nota 7,0


Shape do braço: Aqui a Giannini Pro e Southern Cross empatariam. Possuem o shape do braço muito semelhante.

G.Pro: Nota 8,0
Southern Cross: Nota 8,0
G.Stratosonic: Nota 6,0




Headstock: Levando em consideração o recorte do headstock, a Southern Cross ainda apresenta um conceito melhor que as duas Gianninis.

G.Pro: Nota 7,0
Southern Cross: Nota 8,0
G.Stratosonic: Nota 7,0




Hardware: Aqui a Giannini Pro ganharia de goleada. Os captadores EMG Select vinham de fábrica e sem dúvidas era o grande diferencial da guitarra, conforme dito anteriormente, precisava ter algum atrativo extra para competir com a Southern Cross. Ganha em definição de harmônicos, atack, ganho e timbre.

G.Pro: Nota 8,0
Southern Cross: Nota 7,0
G.Stratosonic: Nota 5,0




Madeiras: As madeiras utilizadas pelas três foram quase as mesmas: Cedro no corpo e Marfim no braço. Disse quase porque a Giannini Pro tem uma diferença, a escala em Jacarandá, proporcionando aquele timbre mais gordo em razão dessa madeira, ajudado pelo empurrão dado pelos captadores da EMG Select.

G.Pro: Nota 8,0
Southern Cross: Nota 7,5
G.Stratosonic: Nota 7,5





Timbre: Fica injusta a comparação quando a Giannini resolve equipar de fábrica a guitarra com os EMG Select e nos outros dois modelos captadores single coil cerâmicos da pior qualidade. Aqueles da Giannini Stratosonic 90' que imitavam os Lace Sensor na aparência eram horríveis.

G.Pro: Nota 8,0
Southern Cross: Nota 7,5
G.Stratosonic: Nota 5,0

Conforto: Empate técnico entre a Southern Cross e a Giannini Pro. A Giannini Stratosonic 90' ganha nota 6,0 porque o braço é muito gordo, totalmente desconfortável de tocar, a menos que você se acostume.

G.Pro: Nota 7,5
Southern Cross: Nota 7,5
G.Stratosonic: Nota 6,0


Peso: Como usaram praticamente as mesmas madeiras, com exceção da escala da Giannini Pro, possuem as três guitarras praticamente o mesmo peso, havendo pouca diferença entre um modelo e outro.

Empate técnico.

G.Pro: Nota 7,0
Southern Cross: Nota 7,0
G.Stratosonic: Nota 7,0

--


Conclusão

Como vocês podem ver, dos dez critérios avaliados, a Giannini Pro venceria em pelo menos cinco dos critérios listados acima (construção, shape do corpo, hardware, Madeiras e Timbre), perdendo apenas para a Southern Cross em um critério, que possui o recorte do headstock mais padronizado que a Giannini Pro e a Giannini Stratosonic 90' (ambas possuem o headstock semelhante). A guitarra do post pertence ao acervo da coleção particular de Leonardo Soares, admirador e profundo conhecedor das guitarras vintages brasileiras com quem aprendo diariamente sobre todos os instrumentos. Ele carinhosamente me emprestou para eu testar e avaliar (conhecer) o instrumento. Sendo sincero, claro que me surpreendeu porque eu nem sabia da existência dessa guitarra. Foi o próprio Leonardo quem me apresentou essa raridade e pode me contar um pouco mais sobre as histórias desse instrumento. Eu nunca tinha visto antes, nem em catálogos da época e muito menos à venda. O Leonardo também me disse que essa guitarra não saiu nem nos catálogos da Giannini da época, apenas em alguns livretos de cifras que se comprava antigamente nas bancas de revista. O período dela nós deduzimos pela proximidade com a Giannini Stratosonic dos anos 90 e por conhecermos um pouco a história da empresa.




Se alguém tiver essa guitarra em casa e quiser vender, entre em contato com o blog, preciso urgentemente dela no meu acervo kkkk




Brincadeiras a parte, vou seguir garimpando por aí para ver se dou sorte e encontro uma dessas para mim, é isso galera, por enquanto é só!

William de Oliveira

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Um pouco de história: Fender Stratocaster Jeff Beck Signature






Olá amigos, venho a publicar na coluna "Um pouco de história" algumas características, peculiaridades e curiosidades sobre as Fender "Jeff Beck", popularmente conhecidas mundialmente pelo reconhecimento de um dos maiores guitarristas de todos os tempos, e claro, a Fender não deixaria passar. Para o mês de novembro, abordaremos então um pouco sobre a história das Fender Stratocaster Signature Jeff Beck. Primeiro ano de fabricação da Signature Jeff Beck: 1991. Popularmente, o instrumento tem o famoso braço "taco de beisebol", por ser o mais encorpado feito pela Fender até hoje, inclusive sendo mais encorpado que as demais Jeff Beck sucessoras, também mais encorpado que a Tele Nocaster 51 e a Stratocaster Custom Shop NoNeck. As sucessoras de meados dos anos 90 também saíram com o braço encorpado, porém mais fino que as primeiras de 1991.


Atualmente o setor Masterbuilt da Fender fabrica um modelo reedição baseada nesse primeiro modelo de 1991. E é vendida por U$6300. Poucas pessoas sabem realmente da história desse modelo, que foi uma das primeiras Signatures fabricadas pela Fender. Na época elas eram fabricada pelos grandes luthiers da Fender que hoje fazem parte do setor Masterbuilt da empresa (Fender Custom Shop), como por exemplo, John Cruz e Tood Krause. Em 1995, com o surgimento do setor Custom Shop (o que de melhor existe na Fender é encontrado lá, tanto em termos de mão de obra humana, como em termos de seleção de madeira, construção e hardware), os principais nomes foram transferidos e não mais atuaram na fabricação deste modelo. A Fender Signature Jeff Beck é comercializada até hoje como um dos principais instrumentos produzidos pela linha Signature, as primeiras unidades construídas em 1991 são consideradas altamente colecionáveis, assim como as primeiras Eric Clapton, que existem desde 1989.





A Fender parou de usar esse nut em 1992, que é de fabricação da Wilkinson, pra usar o LSR (menor), assim como em 1999 a Fender parou de usar os captadores Lace Sensor (da fábrica LACE) e passou a desenvolver os seus próprios captadores sem ruído. Reparem na ausência de String Tree.



Jeff Beck Signature 1993 com captadores Lace Sensor



Sobre a ordem de produção dos captadores da linha sem ruídos, primeiro a Fender desenvolveu os Vintage Noiseless, depois o Hot Noiseless (com ímã cerâmico), posteriormente veio o SCN (Samarium Cobalt Noiseles) e depois o N3, que é a terceira versão melhorada do modelo Vintage Noiseless. 














As Stratocasters Fender Jeff Beck Signature de 2000 pra cá vêm equipadas com os Hot Noiseless instalados de fábrica, as Eric Clapton Signature vem com o set de Vintage Noiseless.








A Fender Stratocaster Plus, lançada em 1987 é a guitarra que originou a Stratocaster Signature Jeff Beck. Por isso, muitas pessoas ainda confundem o modelo Signature Jeff Beck com a linha Stratocaster Plus.

As três diferenças são :

1) A Jeff Beck tinha braço grosso "mais encorpado", enquanto a Plus era Modern C;

2) A Jeff Beck vinha com dois Lace Sensor com opção de ligar em série formando um "quadbucker" (cada lace já tem duas bobinas) tendo assim mais saída e som mais gordo;

3) A Plus vinha com case de fibra ABS no formato da guitarra com a logo PLUS na tag, e a Jeff Beck com case de madeira quadrado com revestimento Tweed e interior em plush laranja;





Equipando as Fender Stratocaster Plus, na versão normal com três Lace Sensor Gold, e a Fender Stratocaster Deluxe Plus, com o modelo do Lace Sensor Red na ponte, Silver no meio e Blue no braço, que são modelos de saída mais alta e som mais encorpado e menos brilhante, e vinha com escudo perolado. E também teve a Fender Stratocaster Ultra, que era um modelo acima destas.


A logo era "transition" até 1994, a partir de 1995 passou a ser a Spaguetti do começo dos anos 50. Até 1994 vinha com tarrachas Sperzel, de 1995 para frente passou a vir com Schaller/Fender.



Tarrachas Sperzel




Por volta de 1992 saiu de linha esse modelo de rollernut. Dentro desse roller nut ainda existem duas variações, até 1989 era aquele com inclinação na E A e D, e tem o inteiro alto de 1990 até parar de ser usado.



Encontrei no Google essa imagem ilustrativa da diferença da alavanca (tremulo) do modelo Jeff Beck para um modelo Reissue, fica evidente a curvatura acentuada no modelo Signature, mantendo as características fiéis do modelo utilizado por Jeff Beck, segundo pude averiguar.




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Um pouco de história: Dolphin Stratocaster - Made in Brazil


Olá pessoal, dessa vez vou apresentar a vocês outro instrumento nacional que merece um destaque! Então vamos lá:

Nome: Dolphin
Modelo: Stratocaster
Serie: 80' (Era Assale) - 90' (Era Pós Assale)
Madeira do corpo: Mogno
Madeira do braço: Marfim Imperial
Escala: Marfim Imperial
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 21
Headstock: Dolphin Headstock
Neck Plate: Era Assale (Sem neckplate) - Era pós Assale (Neck com 4 parafusos).
Configuração dos captadores: S/S/S
Captadores: Captadores de cerâmico revestidos com cover do tipo "Lace Sensor"
Chave seletora: Era Assale (3 botões) - Era Pós Assale (5 posições)
Controle: 1 Volume - 2 Tone
Cores: Preto, vermelho, amarelo, verde/azul metalizado.
Ponte: Vintage - 6 parafusos
Tarraxas: Originais 
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs originais de fábrica
Fabricação: Made in Brazil
Era assale (1988/1989) Era Pós Assale (1990/1994)
Fabricante: Dolphin
Período de Fabricação: 
Era assale (1988/1989) Era Pós Assale (1990/1994)

(Foto 1)


História

    Em meados dos anos 80, os instrumentos no país apresentavam qualidade duvidosa, tanto por conta da má qualidade dos componentes disponíveis (além da dificuldade em exportar novos), quanto pela “despreocupação” e falta de controle durante a construção.

    O engenheiro Carlos Assale, em vista disso, buscou melhorar o sustain dos instrumentos, desenvolvendo assim pontes com maior quantidade de material ferroso, compensando assim a baixa ressonância dos instrumentos em questão.

    A partir daí, exatamente em 1984 surgiu a Dolphin, a marca buscava principalmente a melhoria na qualidade dos instrumentos circulantes no país, por um preço acessível.

    Assale costumava dizer que o lema da fábrica era “afinação e conforto”, desde os instrumentos de entrada até os mais conceituados. Na época a marca recebeu muitas cartas de professores de música, parabenizando o trabalho de Carlos e sua equipe.

    O design inovador era marca registrada também, sempre buscando modelos únicos e com diferentes possibilidades para atender a todos os gostos.

    Com pouco tempo de mercado a marca teve acesso a produtos com maior qualidade, entre eles acessórios das marcas Gotoh, Schaller, Kahler, Cor-tke (Cort), entre outros.

    Em 1992, com a dificuldade em concorrer com o mercado chinês e o convite da Giannini para desenvolver o projeto Southern Cross, Assale acabou deixando o comando da marca.

    Dia 2 de setembro de 2010, devido a problemas de saúde, Carlos Assale nos deixou.

    Obs: as informações foram coletadas a partir de sites, fóruns e pessoas que conheciam Carlos Assale pessoalmente.


 (Foto 2)

    Dolphin Stratocaster

    Apesar dos instrumentos da marca apresentarem design únicos, a stratocaster permaneceu com suas curvas tradicionais, agradando aos músicos da época (e também de hoje), que buscavam tal modelo a um preço acessível e com uma boa qualidade.


(Foto 3)


    - Corpo/braço

    O corpo é em mogno, sendo em sua maioria uma única peça; pesado, bem ressonante e dando um timbre um pouco menos agudo e mais cheio do que o “padrão Fender”.
O braço em marfim (peça única) é bem confortável, trastes finos (com a presença do traste zero) e com o tensor no tróculo (sendo necessário usar uma chave de boca para sua regulagem). O headstock sofreu algumas modificações com o tempo e também recebeu a inscrição “strato”.


(Foto 4)


    - Captadores/elétrica

    Os captadores  eram simples, de baixa saída e com o cover liso (tipo EMG). A parte elétrica também sofreu alterações, as primeiras stratos apresentavam 3 botões on/off individuais, e posteriormente foram substituídos pela chave seletora tradicional.


(Foto 5)

  
    Conclusão

    Já tive 3 exemplares, sendo dois deles dos anos 90 e um dos anos 80, é um instrumento que sempre me agradou muito, mas fui obrigado a me desfazer com o tempo.

    Para quem gosta de guitarras antigas e busca algo “útil”, que não necessite de uma porção de reparos para se tornar “tocável” (vide Giannini, Tonante, etc..), acredito ser uma das melhores opções.
    Carlos Assale é um dos nomes que contribuiu mundo para o avanço dos instrumentos no país!


(Foto 6)

(Foto 7)

(Foto 8)

(Foto 9)

Legenda:

Dolphin “pósAssale”: (foto 1)
Obs: Toda original.

Dolphin “era Assale”: (foto 2)
Obs: A pintura, knobs e tarraxas não são originais.

Dolphin “era Assale”: (foto 3)
Obs: Toda original.

Dolphin “pós era Assale”: (foto 4)
Obs: Toda original.

Dolphin "Pós era Assale": (Foto 5)
Obs: Detalhe do captador.
  
Dolphin “pós Assale”: (foto 6)
Obs: O captador do braço não original.

Dolphin “era Assale”: (foto 7)
Obs: Headstock Era Assale.

Dolphin “era Assale”: (foto 8)
Obs: Headstock Era Pós Assale.

Dolhpin "pós era Assale": (foto 9)
Obs: Etiqueta com número de série no backplate.


Erich Von Farah

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Um pouco de história: Walczak Stratocaster - Made in Brazil



Olá pessoal, dessa vez vou apresentar a vocês um instrumento nacional que merece um destaque! Então vamos lá:


Especificações do modelo:


Nome: Walczak
Modelo: Stratocaster
Série: WZ815
Madeira do corpo: Cedro Rosa
Madeira do braço/escala: Marfim / Pau Ferro
Número de casas: 22
Configuração dos captadores: SSS
Captadores: Cerâmicos originais (Wilkinson?)
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Vol e 2 Tones
Cores: Black
Ponte: VintageStyle Wilkinson – 6 parafusos
Tarraxas: Wilkinson EZ Lock
Trastes: Jumbo
Escudo: Black 3 ply
Knobs: Black
Fabricação: Made in Brazil
Ano: ???
Fabricante: Walczak





- História

A Walczak inicialmente era conhecida por ASW, a qual era formada por um grupo de luthiers que eram responsáveis por todo o processo de desenvolvimento, designed e fabricação. Após um determinado tempo, por razões não muito bem esclarecidas, a marca deixou de existir e então veio a atual Walczak, que tem como os fundadores dois dos luthiers que constituíam a marca anterior.




- A fábrica

A marca teve como objetivo inicial criar uma linha com os modelos mais clássicos no mundo da música, porém com um designed um pouco fora do padrão, tornando assim os instrumentos exclusivos. Além disso, o comprador tinha a opção de customizar o instrumento por completo (madeiras, hardware, captadores, cor, acabamento, etc), algo totalmente inovador no mercado brasileiro, onde isso só era possível através de luthier’s particulares.

A marca foi ganhando destaque e conquistando os músicos que adquiriam seus instrumentos, porém de uma hora para outra a marca deixou de ser prestativa e atenciosa com seus clientes, o site responsável pelas vendas foi desativado e a Walczak foi perdendo o mercado.
Enfim, chega de papo e vamos falar do que realmente interessa a nós!

- WZ815

Esse é o modelo stratocaster da marca, com algumas linhas que fogem do “padrão Fender”, porém mantendo a alma do modelo em questão.

Madeiras: a guitarra é composta por cedro rosa (corpo) e marfim/pau ferro (braço); lembrando que quando a marca ainda estava na ativa, as madeiras podiam ser escolhidas conforme o gosto do comprador.

Hardware: o ponto forte da guitarra; as tarraxas são Wilkinson EZ Lock (um sistema desenvolvimento pela marca onde a existência de dois furos no pino das tarraxas fazem com que a afinação seja mais estável), a ponte é Wilkinson Vintage com big block (essa foi a única strato da marca que vi com essa ponte de 6 parafusos, todas as demais possuem 2 pivôs – semi flutuante, cheguei a entrar em contato com a Walczak sobre isso, porém ainda não obtive resposta; quanto ao big block, é uma peça fundamental nas stratocaster, pois ajuda a dar corpo no timbre e aumenta o sustain das notas).

Captadores: as Walczak “atuais” saíam de fabrica com captadores Wilkinson, porém os que se encontram em minha guitarra não tem nenhuma  inscrição/logo, são cerâmicos, honestos, mas merecem ser substituídos por um trio de Alnico de melhor qualidade, para acompanhar o restante da qualidade do instrumento.

Conforto: o shape do braço é bem macio e junto aos trastes jumbo, tornam a guitarra com uma pegada muito confortável; o corpo também apresenta uma boa ergonomia, porém um pouco pesado para uma stratocaster, mas nada de tão anormal assim.

Timbre: não acho o cedro uma madeira que combine muito com as stratocaster (apenas minha opnião pessoal), pois o som fica um pouco mais fechado e com menos ênfase nos agudos (como é de costume em tal modelo); associado ao captadores cerâmicos esse timbre em particular fica ainda mais evidente, a troca por captadores em alnico com certeza daria um bom upgrade na guitarra (que ao meu ver, esse é o único ponto fraco da mesma).

Considerações finais: trata-se de um instrumento de qualidade, para quem busca algo bem construído e com um excelente custo x benefício.

Ao meu ver a guitarra é completa por inteira, apesar da minha ressalva com os captadores, isso não é algo necessário, apenas gosto pessoal.


Erich Von Farah

sábado, 30 de maio de 2015

Um pouco de história: Guitarras Aria





Olá amigos, venho publicar esse post dedicado à história das guitarras Aria, tão amplamente abordadas nesse mês de Maio aqui no blog, nas minhas duas colunas: galeria de arte stratocaster e no post referente a raridade do mês de Março. Para começar, vamos falar um pouco sobre o início da empresa que produziu esses instrumento. Matsumoku Industrial foi uma empresa de fabricação japonesa que existiu na cidade de Matsumoto, no Japão, entre os anos 1951 a 1987. 


Estabelecida em 1951 como um fabricante de tratamento de madeira de vários itens, se tornou mais conhecida como um fabricante de guitarras e baixos de alta qualidade incluindo instrumentos da marca Epiphone e Aria. A Gibson foi reestruturada depois de ter sido vendida por Norlin e a empresa começou a mover toda sua produção da Epiphone para outros fabricantes japoneses e para a Coréia. Em 1986, o mercado de máquina de costura doméstica estava em declínio e Singer estava quase falido. Matsumoku não podia se dar ao luxo de comprar-se para fora de Singer e em 1987 fechou.




 






Depois de Matsumoku cessar as suas operações, a Aria continuou a produção de guitarras e baixos Aria Pro II através de suas próprias fábricas e de outros fabricantes. Atualmente algumas linhas e edições especiais de guitarras top ainda são fabricadas no Japão, no entanto, a maioria das guitarras Aria agora são produzidas na Coréia e China.

Shiro Arai fundou a Arai and Company em 1953 como um importador de guitarras clássicas. Em 1960, Arai contratou Guyatone para fabricar guitarras. Na época, Guyatone foi um dos principais fabricantes de instrumentos musicais do Japão. No entanto, Guyatone não poderia satisfazer as necessidades de produção de Arai, e em 1964, Arai and Company contratou a empresa Matsumoku para a fabricação desses instrumentos musicais.

Guyatone produziu guitarras que exibiram problemas quando exportadas, principalmente causados pelos climas mais secos na América: os encaixes descolaram quebrando o braço, logo abaixo do headstock. Estas questões foram abordadas logo no início com Matsumoku. A solução foi usar madeira que tinha sido seca por pelo menos dois anos, também foram usadas colas mais fortes com tempos de aperto mais longos, e uma característica que se manteve durante toda a produção de Matsumoku: o braço de maple com três pedaços.

A relação entre as duas empresas foi tanto amigável e simbiótica. A Aria esteve focada em vendas nos mercados interno e de exportação e desenvolvimento do projeto. Matsumoku dedicou suas energias em engenharia e construção de guitarras e outros instrumentos de cordas. Ao longo de sua relação de negócios de 22 anos, a Aria continuou sendo a principal cliente da Matsumoku. Matsumoku muitas vezes preferiu usar a Aria como seu agente de negócios, e muitos dos contratos de Matsumoku foram escritos por Aria com Matsumoku declarados ou implícitos como fabricante sub-contratados.

O engenheiro Nobuaki Hayashi tornou-se parte da equipe de engenharia da Matsumoku em meados dos anos 1970. Pseudônimo de Hayashi, "H. Noble", apareceu em muitos dos instrumentos Aria Pro II que ele projetou na época. As guitarras Aria se mostraram assim com uma notável inovação de design e um movimento definitivamente longe das formas da Gibson e da Fender. Hayashi é mais conhecido como o criador da Aria Pro II, SB-1000 do baixo e do Aria Pro II, guitarras da série PE.

As guitarras Arai and e Company receberam o logo "Arai", e depois passou para o familiar Aria em torno de 1966. Aria Diamond foi o nome escolhido para suas primeiras guitarras elétricas. A partir de 1975, após a chegada de Hayashi, todas as guitarras foram nomeadas Aria Pro II. A Aria tinha duas fábricas que produziam guitarras além de Matsumoku, uma que fez guitarras clássicas, e outra que fez guitarras com grau de especialidade.