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domingo, 25 de outubro de 2015

Limpando a escala: receita caseira


Olá amigos, estava eu viajando pela net quando encontro uma dica bem legal para limpezas de escalas escuras do amigo Édney Helene:

Receitinha básica de extrato de limão pra limpeza efetiva de escalas escuras:

1/3 de suco de limão (Encontrável no supermercado ou fruteira)


1/3 de óleo mineral (Encontrável nas farmácias)




1/3 alcool isopropilico (Encontrável em supermercado ou nas farmácias)




Eu reluto um pouco quando vejo essas ideias caseiras mas dessa vez resolvi apostar e peguei o instrumento mais simples que eu tinha e testei aqui em casa, realmente ficou muito bom, tanto no "cheirinho" quanto na aparência, eu apenas gostaria de sugerir para diminuir no óleo mineral, para aqueles que não querem a solução com aparência mais gosmenta e preferem mais líquida. Se achar o cheiro do limão muito forte, dilua o conteúdo do suco de limão em 50% de água. Outra coisa que fica legal é usar um borrifador, geralmente se encontra facilmente para venda nos mercados desse Brasil varonil. A diluição fica mais fácil com mais álcool ou se preferir, coloque água. Eu já vi algumas pessoas se queixarem que essas soluções com limão escurecem escalas claras em Maple ou Marfim, mas eu sinceramente nunca associei com isso, geralmente o suor dos dedos já seria o suficiente para escurecer o verniz e a madeira, sem mencionar a ação do tempo. Via das dúvidas, fica aqui nossa recomendação: não passe em escalas claras. Outra coisa é o óleo de peroba, não aplique em escalas claras (algumas marcas são envernizadas, ou usam celadoras finas ou são enceradas). Se alguém mais quiser testar em escalas escuras e postar os resultados, fiz em casa e ficou realmente satisfatório.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Refinish: Como pintar sua guitarra


Olá amigos, o post é para quebrar o galho de muita gente que gosta de brincar de professor pardal em casa e que gostaria de pintar pessoalmente ou customizar seus instrumentos. A ideia aqui é apenas dar uma receita de bolo nua e crua para que vocês possam ter uma ideia melhor do processo. Existem muitos vídeos no Youtube ensinando a pintar, mas sinceramente, compre sua pistola (depois eu vou indicar qual no meio do post) e pratique, pratique muito, existem coisas que só se aprendem na prática e essa é uma delas. Outra coisa que preciso sugerir é que ninguém começa a aprender com um instrumento caro ou top de linha, por isso peque um instrumento barato e de preferência antigo que esteja precisando melhorar o visual. Nada de querer aprender a dar refinish em Fender, pelo amor de Deus, levem a um luthier capacitado e deixe de ser orgulhoso ou burro como preferir. Sempre costumo dizer para os meus amigos que nenhum estudante estagiário de museologia aprende a restaurar utilizando uma pintura do Picasso, então galera, para não causar aborrecimentos, levem a um luthier e não me venham pedir conselhos e nem consolos se der errado.




Também não temos pretensões de formar nenhum luthier com o post, mas sim pessoas autodidatas para aprender a  mexer em seus instrumentos. Acredito que precise de muito estudo e empenho durante anos para que a pessoa possa se auto denominar um luthier de verdade, e para ser muito sincero, conheço poucos de verdade. A grande maioria dos luthiers que tenho adicionados no meu perfil do facebook são pessoas que nunca abriram um manual, nunca fizeram um curso e nunca buscaram aperfeiçoamento ou qualificação profissional. Geralmente são um bando de curiosos desempregados que resolvem tentar se inserir nesse mercado de trabalho e por isso eu não levo a sério, eu nunca levaria um instrumento meu para um cara que eu sei que aprendeu a pintar um instrumento olhando um vídeo no Youtube, pois se é para fazer de um modo amador, faço eu mesmo em casa. E assim por diante, trocam os trastes da escala, mexem em todo instrumento e tudo isso através de uma aprendizagem caseira utilizando a Internet. Não é que eu esteja desprezando essa forma de saber, todas elas são válidas, mas acredito que para um sujeito se auto proclamar luthier, deveria no mínimo aprender com outros profissionais da área no dia a dia, na prática diária, e não só apenas mexendo de curioso em casa, caso contrário, qualquer curioso de fundo de quintal irá comprar um alicate, algumas ferramentas, um tubo de WD40 e voalá! Prefiro então que essas experiências sejam como um hobbie.




Assim, todas as experiências citadas a seguir são de nossas experiências, não tem obrigação nem intenção de serem corretas no julgamento profissional dos amigos e verdadeiros luthiers. Lembre-se que para aprender, você deve se divertir, não tenha a pressão em acertar de primeira vez. Para isso, compre uma pistola de pintura para aprender, treinar e depois pintar a guitarra. Não digo para investir muito nisso, então o negócio no início é comprar um equipamento amador e barato. Nesse caso, é possível fazer uma boa pintura usando uma pistola pulverizadora, já que a mesma consegue pressão suficiente para formar a névoa de tinta, que permite uma aplicação de tinta sem escorrer sobre o corpo. Só aprender a regular o bico e pronto!!! Ela é barata, funcional e de simples uso para pequenos projetos. Além disso você poderá utilizá-la para outras coisas e não irá se arrepender, poderá também dar acabamentos em pedais handmades. Único ponto negativo é ser de plástico, assim, os solventes de pintura em contato prolongado acabam deteriorando o material plástico do bico. Se fosse metálica seria perfeita pra trabalhos pequenos como este. Então uma dica é colocar os produtos (seladora, tinta e verniz) só no momento em que for usar e logo depois já limpar a pistola imediatamente. Mãos a obra:

Materiais: 

- 3 lixas 120
- 3 lixas 220
- 3 lixas 320
- 3 lixas 400
- 6 lixas 600
- 2 lixas 1200
- 2 lixas 2000
- Taco para lixar (pode ser feito com pedaço de madeira com borracha na base, 7cm x 13cm)
- Flanelas limpas para limpar os materiais antes de aplicar a seladora, tinta e verniz)
- 300 ml de seladora nitrocelulose Sayerlack (irá diluir, então o volume final será por volta de 500ml)
- 400ml de tinta DUCO branca
- 400ml de tinta DUCO de sua preferência escolhida: Sonic Blue, Surf Green.. CAR... etc
- 400ml de Verniz Laca nitrocelulose
- 1 rolo de fita crepe para proteger escala do braço e cavidades do corpo.
- Massa número 2 para polir
- Cera automotiva para polir
- 2 litros de diluente Sayerlack/Thinner (para diluir e lavar a pistola)
- Pistola Pulverizadora




Pessoal, o volume de seladora, tinta e verniz é o suficiente pra fazer todo processo e ainda sobrar. Coloque um volume maior já que se trata de um primeiro teste, então a probabilidade de erros sempre vai ser grande. Tenha um ambiente amplo, com pouca umidade e boa luminosidade. Lembre-se que em apartamento isso não seria possível por vários fatores, o cheiro forte que irá ficar dos produtos é um deles. Assim, a primeira parte é sempre retirar a tinta original do corpo de seu instrumento. Use lixa numero 100 ou próximo a isso até retirar todo o verniz e uma boa parte da tinta. Depois passe para lixa 220 pra não arranhar a madeira com um grão de lixa grosso, depois alterne entre as lixas 300, 400 e 600 (essa última etapa com lixa fina faz com que necessite de menor quantidade de seladora pra tapar os poros da madeira). Não recomendo utilizar removedor de tinta, apesar de ser mais prático e não desnivelar a superfície do corpo, os componentes químicos do produto podem penetrar nas fibras da madeira e atrapalhar completamente o resultado final. Você não irá querer prejudicar a madeira do seu instrumento, nem deixar com manchas ou alterações causadas por esse produto químico. Além disso, use lixa, jamais remova a tinta com espátulas, pás, facas ou semelhantes. Para evitar ondulações na superfície ao lixar, usem sempre um taco de lixar, assim a superfície permanece plana.




Após lixado e limpo, o corpo vai para aplicação da seladora. Como gostamos de instrumentos vintages, a ideia é utilizar nitro nos instrumentos por uma série de vantagens que poderei abordar em outro post, sugiro utilizar a seladora com base nitrocelulose da Sayerlack, seguindo as recomendações do fabricante nas porções de diluição. Aplique 3 ademãos bem finas até cobrir todos os poros do corpo e 24 horas de secagem completa (dependendo de sua cidade e da umidade do ambiente, pode levar mais do que isso). Depois use lixa dágua 600, limpe e partiremos para o terceiro passo... hora de preparar o fundo branco e a tinta DUCO da tonalidade de sua preferência (Sonic Blue, Fiesta Red, etc). Sabemos que para conseguir um Relic ao longo dos anos com ar de naturalidade tem que ser feito usando selador, tinta e verniz em nitrocelulose. Assim, fica o mais próximo de uma Fender pré-cbs que eram pintadas com estes produtos. Escolha no catálogo uma tinta LACA/DUCO na cor branca, peça ajuda ao vendedor caso tenha dúvidas em relação a esses produtos. Geralmente se encontra em loja de tinta automotiva, as tintas são preparadas na hora. Compre 400ml de cada e é o suficiente, até irá sobrar para novos projetos.




Dando sequência, aplique 3 ademãos bem finas do fundo branco e espere 24 horas de secagem. Depois uma lixa dágua bem leve, número 600 só para retirar possíveis defeitos na aplicação do fundo e criar atrito para aumentar a fixação com a tonalidade de sua escolha, que virá por cima. 




Aplique a tinta DUCO branca como fundo para ficar com o mesmo visual das pré-CBS, quando iniciar o relic através da ação do tempo durante os anos, ele aparecerá.  Dá esse aspecto de degradê, com o amarelado do verniz, tonalidade, fundo branco e madeira.

Continuando, aplique 3 ademãos de Duco (tonalidade), 24 horas de secagem e lixa d’água 600 para uniformizar a superfície e diminuir os efeitos indesejados que chamamos de “casca de laranja”. Depois, uma última ademão fininha da tonalidade, 24 horas de secagem, lixa d’água 600 e limpeza. Lembrando que todas as etapas devem ser feitas com aplicações de camadas finas para evitar que fique muito "carregada", por tanto, cuidado para não pesar na demão.



       
Partindo para última etapa, faça a aplicação do verniz em nitrocelulose. Utilize o verniz Laca Nitro da Sayerlack e siga rigorosamente as instruções do fabricante. Aplique 3 ademãos de verniz e espere 24 horas de secagem. Depois inicie o processo de uniformização da superfície, use lixas dágua 600, 1200 e 2000. Lembrando que nessa etapa, este processo de lixamento é feito utilizando um taco de lixar e lixas molhadas em sabão com detergente. As lixas molhadas com a mistura de água e detergente servem para não causar ranhuras indesejadas no acabamento de sua pintura. Após isso, inicia-se o polimento com massa de polir número 2. O polimento à mão cansa muito, mas quanto maior a sua dedicação, melhor será o resultado. Não tenha pressa em terminar tudo de uma vez só, a lembre-se que a pressa é inimiga da perfeição. Uma politriz elétrica pode te ajudar muito nesta etapa. Depois de polida com a massa número 2, aplique a cera de polir automotiva. O resultado ficará magnífico para um trabalho amador e utilizando apenas ferramentas simples. Quem tiver dúvidas nas etapas entre em contato que responderemos na medida do que for possível e do nosso conhecimento.

Abraços

William de Oliveira e Moisés Figueiredo


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Pau-Marfim: Especificações técnicas e curiosidades sobre a madeira


Pau-Marfim é um nome usado para indicar pelo menos duas variedades de madeiras, oriundas da árvore Agonandra brasiliensis e, menos frequentemente,  Balfourodendron riedelianum, que também é conhecida por Farinha Seca. O pau-marfim é uma espécie longeva, pertencente ao grupo sucessional secundária tardia (Durigan & Nogueira), freqüente em capoeirões e em floresta secundária, podendo surgir também em pastagens e, nesse caso, apresenta comportamento de espécie antrópica. As principais regiões fitossociológicas onde ocorre o pau-marfim são Floresta Estacional Semidecidual, formação Submontana e Floresta Estacional Decidual. Entretanto, essa espécie pode ser encontrada, em menor freqüência, na Floresta Ombrófila Mista (Floresta com araucária) e Floresta Ombrófila Densa, no alto da bacia do rio Ribeira. O pau-marfim é uma planta hermafrodita, cuja polinização possivelmente é feita por insetos pequenos (Morellato, 1991).  

Os frutos são disseminados pelo vento e apresentam grande dispersão (Eibl et al.,1990). A floração e a frutificação se iniciam quatro anos após o plantio em solos férteis, mas, em regeneração natural, esse processo ocorre por volta dos quinze anos de idade (Durigan et al., 1997). Observou-se que o ciclo reprodutivo, compreendendo floração e frutificação, ocorre em períodos distintos nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. De agosto a dezembro ocorre floração no Paraná, de setembro a janeiro, em São Paulo, de setembro a fevereiro, no Rio Grande do Sul, de outubro a janeiro, em Santa Catarina e de março a abril, em Minas Gerais. Nesses Estados, a frutificação se dá entre maio e setembro, em São Paulo, em junho, no Rio Grande do Sul, de junho a outubro, no Paraná e de novembro a dezembro em Minas Gerais (Carvalho, 1994).

O pau-marfim ocorre sob os tipos climáticos subtropical úmido, subtropical de altitude, e temperado úmido. A precipitação anual média é de 1.000mm (São Paulo) a 2.200mm (Santa Catarina), sendo que na região Sul, exceto para o norte e noroeste do Paraná, as chuvas são uniformemente distribuídas ao longo do ano e, nas regiões Sudeste e Centroeste, são periódicas e concentradas no verão. O pau-marfim é uma espécie exigente, pois ocorre em solos de alta fertilidade química, profundos, bem drenados e com textura variando de franca a argilosa. Porém, tolera solos úmidos e pedregosos. durabilidade natural dessa madeira é baixa para apodrecimento e ataque de organismos xilófagos, devendo ser descascada, serrada e estaleirada logo após o corte. Contudo, a baixa resistência pode ser amenizada, pois essa madeira é permeável aos tratamentos preservantes, em autoclave. Trata-se de uma madeira flexível, podendo ser serrada e trabalhada sem dificuldade. A madeira de pau-marfim pode ser usada para fabricação de móveis de luxo, molduras, guarnições internas, portas, artefatos domésticos, peças torneadas, laminados decorativos, tacos para assoalhos, carpintaria e marcenaria em geral (Lorenzi, 1992). Os preços da madeira laminada de pau-marfim no mercado atacadista da Grande São Paulo foi cotado em R$10,58/m², em maio de 2005 (Florestar Estatístico, 2005).

Nome Científico: Balfourodendron riedelianum (Rutaceae).   
CaracterísticasQuando adulta, a árvore atinge entre 6 a 20m de altura e diâmetro (DAP) entre 30 a 50 cm. Em alguns casos pode atingir 35 m de altura e 100 cm de DAP. Seu tronco é reto e cilíndrico, algumas vezes levemente tortuoso, apresentando fuste de até 15 m de altura. Perde as folhas durante a estação seca, pois trata-se de uma essência caducifólia. Contudo, supõe-se que esta espécie apresenta diferentes ecotipos porque freqüentemente são encontrados indivíduos com folhagens, mesmo em estação de descanso fenológico (Gartland & Salazar, 1992). A copa é, geralmente, larga e arredondada, com ramificação racemosa. Porém, podem ser também observados indivíduos com copas irregulares e achatadas (Carvalho, 1994). A casca externa é cinza a parda-acinzentada, com textura variando de lisa a áspera e repleta de lenticelas branco-amareladas, distribuídas longitudinalmente. Na casca externa verificam-se ainda cavidades de 2 a 3 cm de diâmetro, que se desprendem, sendo estas características da espécie e importantes para sua identificação. A casca interna possui coloração esbranquiçada, é dura e apresenta textura arenosa (Carvalho, 1994). As folhas são compostas trifoliadas e apresentam disposição oposta. O pecíolo mede de 3 cm a 12 cm de comprimento, com folíolos de lâminas elípticas e subglabras que medem de 5 a 12 cm de comprimento por 2,5 a 4,5 cm de largura. Em regeneração natural os folíolos podem atingir até 20 cm de comprimento, sendo, em todos os casos, o central maior que os laterais e com pontos pretos e domáceas nas axilas. Pode-se observar pontos translúcidos nas folhas e, freqüentemente, manchas fúngicas douradas (Carvalho, 1994). As flores são bissexuais, de coloração branco-amarelada, medindo de 2 a 3 mm de comprimento e se dispõem em panículas de 5 a 10 cm, bastante ramificadas. O ovário apresenta quatro carpelos e quatro lóculos, com duas séries de óvulos cada (Carvalho, 1994).
Os frutos são do tipo tri-sâmara, indeiscentes, lenhosos, coriáceos, secos e com quatro asas grandes, verticalmente radiadas. Possuem coloração verde quando ainda são imaturos e amarela a acinzentada quando maduros. Os fruto apresentam dimensões de 5 a 25 mm por 20 a 25 mm.(Silva & Paoli, 1996).
As sementes são elipsóides, bitegumentadas e ricas em substâncias lipídicas, que se acumulam nos cotilédones. Podem medir até 9 mm de comprimento, sendo encontradas de uma a quatro por fruto. Em caso de aborto, os lóculos são encontrados vazios (Carvalho, 1994).
Locais de Ocorrência: Encontrada naturalmente no Brasil, Argentina e Paraguai. No Brasil, a área de ocorrência natural do pau-marfim envolve os Estados de Minas Gerais, Paraná, Esírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul, compreendendo latitude de 20º S (Minas Gerais) a 29º 40’ S (Rio Grande do Sul). Ocorre em altitudes de 70 a 1.100 metros.
Madeira: Madeira pesada; cerne branco-palha-amarelado, escurecendo para amarelo-pálido, uniforme; alburno aparentemente não demarcado, branco levemente amarelado; grã irregular à revessa; textura fina; superfície lisa ao tato e medianamente lustrosa; cheiro imperceptível; gosto levemente amargo.
Aspectos Ecológicos O pau-marfim é uma espécie longeva, pertencente ao grupo sucessional secundária tardia (Durigan & Nogueira, 1990), frequente em capoeirões e em floresta secundária, podendo surgir também em pastagens e, nesse caso, apresenta comportamento de espécie antrópica. 
As principais regiões fitossociológicas onde ocorre o pau-marfim são Floresta Estacional Semidecidual, formação Submontana e Floresta Estacional Decidual. Entretanto, essa espécie pode ser encontrada, em menor freqüência, na Floresta Ombrófila Mista (Floresta com araucária) e Floresta Ombrófila Densa, no alto da bacia do rio Ribeira (Carvalho, 1994).
Durabilidade: A madeira de Pau-Marfim, segundo observações práticas a respeito de sua utilização, é considerada de baixa resistência ao ataque de organismos xilófagos. Quando enterrada apodrece rapidamente.

Referências utilizadas:







terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cedro Rosa: Especificações técnicas e curiosidades sobre a madeira


O cedro-rosa, também é conhecido como acaicá, acajá-catinga, capiúva, cedro-amarelo, cedro-batata, cedro-branco, cedro-cetim, cedro-fofo, cedro-roxo, cedro-verdadeiro, cedro-vermelho, cedro-da-bahia, cedro-da-várzea, cedro-de-carangola, cedro-do-campo, cedro misionero (Argentina); cedro (Bolívia); ygary (Paraguai) e cedro colorado (Peru). Ocorre em todos os ambientes florestais do Brasil e em praticamente toda a América Latina. Seu tronco é cilíndrico, longo, reto ou pouco tortuoso e quando se ramifica produz uma copa alta e frondosa. Possui casca com fissuras longitudinais profundas e largas, muito típicas. A casca interna é avermelhada com odor agradável. As árvores de cedro-rosa, parte da família de pinheiros, são grandes árvores verdes conhecidas por produzir uma fragrância aromática. Elas também são conhecidas por ter uma expectativa de vida longa por causa de sua resistência a doenças. Sua expectativa de vida longa também pode ser atribuída ao fato de prosperarem em áreas úmidas, onde os incêndios são raros.

As folhas caem nas estações mais frias do ano. Suas flores, de coloração amarela a creme, formam um aglomerado denso. O fruto é uma cápsula lenhosa com textura rugosa e de coloração marrom escuro. Dentro dele, encontram-se as sementes que são aladas. A polinização, possivelmente é feita por mariposas e abelhas e a dispersão das sementes é realizada pela ação do vento.

O cedro destaca-se entre as madeiras mais apreciadas no comércio brasileiro e nas exportações. Sua madeira é parecida com a do mogno (Swietenia macrophylla), sendo, porém mais mole e de textura mais grossa. Possibilita o uso muito diversificado, superado somente pela madeira de pinheiro-do-paraná (Araucária angustifolia). Sua madeira é muito empregada na construção civil, na fabricação de caixas para cachimbo, na produção de energia, produção de móveis, artesanato e utilizada na construção de instrumentos musicais. Também são usados como árvores ornamentais para fins de paisagismo, por terem folhagem atraente. A copa da árvore do cedro-rosa, quando plantadas lado-a-lado também pode bloquear o vento e ajudar a manter um ambiente aconchegante em casa.

Nome Científico: Cedrela fissilis (Meliaceae).
CaracterísticasEspécie arbórea com altura de 8-35 m e tronco com até 90 cm de diâmetro. Folhas alternas, espiraladas, compostas pinadas, com folíolos oval-lanceolados de até 18 cm de comprimento. Os frutos são cápsulas deiscentes, com sementes monaladas.
Locais de Ocorrência: Ocorre principalmente nas florestas semidecíduas e pluvial atlântica do Rio Grande do Sul até Minas Gerais.
Madeira: Madeira leve, ceme variando do bege-rosado-escuro ou castanho-claro-rosado, mais ou menos intenso, até o castanho  avermelhado, textura grossa;grã direta ou ligeramente ondulada, superficie lustrosa e com reflexo dourados; cheiro característico, agradável, bem pronunciado em algumas amostras, quase ausente em outras ; gosto ligeramente amargo., madeira macia e muito durável em ambiente seco. Quando enterrada apodrece rapidamente.
Aspectos EcológicosPlanta decídua que ocorre preferencialmente em solos úmidos e profundos, como os encontrados em vales e planícies. Desenvolve-se no interior de florestas primárias, mas também pode ser encontrada em capoeiras. Floresce entre os meses de agosto e setembro e o amadurecimento dos frutos ocorre com a árvore totalmente desfolhada, entre junho e agosto.
DurabilidadeA madeira de Cedro é considerada de resistência moderada ao ataque de organismos xilófago, segundo observações práticas a respeito de sua utilização.




Referências utilizadas: