domingo, 27 de setembro de 2015

Amigo Strateiro: Jennifer Superstrato


Olá amigos, apresento para o mês de Setembro na coluna "amigo strateiro", a primeira publicação do amigo Ruan Macedo a participar e postar sua experiência com essa Jennifer Superstrato, além de ter a oportunidade de mostrar seu instrumento. Vocês poderão questionar pelo fato dela ser Superstrato e não Strato, mas o post vai valer a pena!

Conforme mencionei nas outras vezes, outras pessoas também podem usar esse espaço para compartilhar informações e experiências com seus instrumentos, nada mais legal do que somar vivências. Quer que sua Stratocaster seja postada no blog? Entre em contato conosco. A única regra é: o instrumento precisa "ser strato" e o amigo precisa "ter a strato". 

Dando continuidade nesse espaço, convido para o mês de Outubro o amigo Ruan Macedo, proprietário de uma inacreditável Jennifer Brazuca! (E depois vocês irão entender a razão por ter chamado de inacreditável, no vídeo que Ruan gravou para que pudéssemos conhecer seu trabalho e o incrível timbre da guitarra depois da customização).

Nome: Ruan Macedo
Cidade: São Sebastião do Passe/Bahia
Proprietário: Jennifer Superstrato
Serial Number: --

Especificações do modelo:

Nome: Jennifer

Modelo: Superstrato
Série: ?
Madeira do corpo: Cedro
Madeira do braço: Marfim
Madeira da escala: Marfim
Número de casas: 22 casas 
Configuração dos captadores: 3 humbucker (H-H-H)
Captadores: (Braço) Seymour Duncan Hot rails, (Meio)Sound HB, (Ponte)EMG
Chave seletora: 5 Posição
Controle: 1Vol e 1 push pull e 1 mix
Cores: Preta craquelada 
Ponte: Fixa com sistema synchronizer
Escudo: --
Knobs: 3 knobs inox
Fabricação: Made in Brazil
Ano: 1990 - 199?
Fabricante: Jennifer®
Serial Number: --



Conte um pouco da sua história com o instrumento: onde, como e quando comprou.

Bem galera eu moro na cidade de São Sebastião do passe (BA) e comecei a tocar no ano de 2004 com os meus 14 anos de idade, foi quando ganhei o meu primeiro violão Giannini presente de uma tia, mas o meu sonho era de fato a guitarra.

Três anos depois fiquei sabendo que um amigo estava vendendo uma guitarra Jennifer, então fui até a casa dele para ver o instrumento e mesmo com várias pessoas criticando a marca, quando eu vi não resisti, era amor à primeira vista, tinha que ter aquela craquelada para mim.



Fiz alguns bicos, juntei uma grana e fui comprar o instrumento, para minha tristeza ele já tinha vendido e saí de lá chateado, pois não tinha conseguido o meu sonho, peguei o suado dinheirinho e dei para minha mãe, passaram-se uns dias até que esse mesmo amigo me procurou dizendo que a pessoa que tinha comprado a Jennifer na mão dele tinha desistido da compra, para minha felicidade, então ele deixou a guitarra na minha mão para eu testar. Meu pai vendo que eu estava sem dinheiro comprou ela para minha alegria.
            

Para você, o que representa ter uma Jennifer?

Um sonho, uma realização e satisfação.




Como você definiria o som desse instrumento?

A minha guitarra tem uma sonoridade cristalina aberta bem equilibrada entre os graves, médios e agudos cortantes com ataques de notas definidas com captação nervosa para os drives.  

Qual o principal ponto forte dessa guitarra?

Sonoridade gostosa de ouvir que da vontade de não parar mais de tocar com conforto. Com tudo isso, ainda possui um visual que foi amor à primeira vista. E também uma customização que ficou a minha identidade.     
  
Qual o principal ponto fraco dessa guitarra?

Sinceramente em minha opinião o ponto fraco da Jennifer eram os captadores de fabricação, os quais não medi esforços para trocar.

Pretende fazer algum upgrade ou já fez alguma modificação na guitarra?

Um detalhe: eu nunca levei ela em um Luthier, eu mesmo fiz tudo e a minha guitarra se transformou em uma guitarra icônica. Eu mudei as tarraxas, mudei também a ponte, o nut (pestana) eu coloquei de alumínio para dar um som cristalino. Os captadores eram dois: um single-coil (braço) e um humbucker (ponte), eu troquei os dois e abri um furo no meio da guitarra para instalar outro captador humbucker no meio.




A configuração dos potenciômetros antes era de quatro botões: 1 volume 1 tom para o primeiro captador e 1 volume 1 tom para o segundo captador parecido com o modelo Les Paul, eu mudei a configuração e ficou assim, eu fechei um furo do potenciômetro e no local coloquei uma chave de 5 posições, 1 volume e 1 push pull, esse potenciômetro tem a função de mudar o som do captador do braço, o hot rails tem 1 mix para ligar o captador do braço e da ponte com características  da stratocaster Fender.



Eu fiz uma blindagem para melhorar o aterramento da guitarra e também coloquei um porta paleta na parte superior do corpo próximo ao braço. Eu penso em colocar um botão com led para fazer um efeito killswitch ao estilo Buckethead.


O que você diria para pessoas que não conhecem as guitarras Jennifer ou que sempre duvidaram da qualidade desses instrumentos produzidos em solo brasileiro?

Bem galera, eu sempre vi a minha guitarra como um diamante no interior de uma rocha bruta que só precisava ser lapidada, às vezes só precisa mudar algumas coisinhas no instrumento e terá muito mais da sua personalidade na guitarra como os grandes guitarristas fazem e até as pessoas que te criticaram vão bater palmas para você.




Independente de ser Fender, Gibson, Tagima ou propriamente Jennifer. o importante é você curtir o instrumento e conseguir tirar o melhor de você e da sua guitarra fazendo tudo com amor.

No Brasil existem muitas marcas e Luthier que faz instrumentos de qualidades em solo brasileiro: “e o teu futuro espelha essa grandeza”.


Confira o timbre dessa Jennifer no vídeo a baixo:



        

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Raridade do mês: Zeis Stratocaster Prototype #0001


Olá amigos, venho trazer nesse post dedicado à raridade do Mês de Setembro, uma edição produzida recentemente pelo meu grande amigo e renomado conhecedor das Stratocasters Moisés Figueiredo, responsável direto pelo meu interesse nas stratos e por fazer com que eu quisesse aprender mais sobre elas. Apresento para vocês um pouco dessa narrativa, feita pelo próprio Moisés, do protótipo do que chamaremos pelo nome Zeis Stratocaster.

Bem, hoje vou contar um pouco da história e do processo de refinish e montagem de uma strato relic. Desde o ano de 2004, quando ganhei minha primeira guitarra, uma Vantage com Floyd Rose, comecei a me interessar em modificar os instrumentos, a ler sobre circuitos eletrônicos, pedais, amplificadores e etc... Comecei construindo meus próprios pedais, depois meu amplificador valvulado (Bassman), a customizar minhas guitarras e a de meus amigos. Sempre de forma amadora, como hobbie. Com o passar dos anos, depois de poder comprar, vender e trocar várias Fenders, tive a oportunidade de conhecer um pouco sobre o assunto. Por mais que a gente lê, pesquise, sempre se descobre algo novo. E o que mais me fascina neste mundo Strateiro são as guitarras PRÉ-CBS, pelo seu shape, o acabamento em nitro craquelando, captadores em carretel de fibra, fios FORMVAR, escudos amarelados e as ferragens oxidadas pelo tempo. Devido à impossibilidade financeira de adquirir uma legítima Pre-CBS 62/63 e pela facilidade no mundo handmade, resolvi montar minha própria pré-cbs rsrsrs.




Seria muita pretensão de minha parte? Seria... mas resolvi ocupar meu tempo nas férias, feriados e ainda achei o louco do William Martins pra me acompanhar neste projeto. Comecei a garimpar corpos de Strato na internet. O primeiro critério era ser de uma Fender em Alder, mas os preços abusivos me levaram a escolher o corpo de uma Fender Southern Cross em cedro. Discussões a parte se a SC é uma Fender ou não, está neste post, que o William já discutiu. 

Apesar da resistência em deixar a ideia original, por ter um shape um pouco diferente e ser em cedro, eu o escolhi pela a qualidade da madeira. Era um corpo com 20 anos de estrada, a madeira já estava mais que estabilizada.




Após isso iniciei uma nova busca, agora pelo braço. Como a referência era uma Stratocaster 62 tinha que ser um braço em maple com escala em rosewood, ajuste do tensor pelo tróculo e escala com raio 7,25’’. Pesquisei no ML e Ebay, e o alto preço dos braços Fender com essas características me fez mudar de plano novamente e pegar um braço que não era legítimo Fender. Achei no Ebay um braço canadense já usado, por um preço mais aceitável, mesmo assim teve um custo elevado. Nessa altura do campeonato já havia mudado a idéia inicial em dois itens, então tentei caprichar na ponte e tarrachas vintage. Comprei uma ponte Gotoh vintage e uma tarracha Wilkinson, das antigas, exatamente idênticas às Kluson. Muitas Wilkinson’s de hoje são diferentes neste detalhe:


Wilkinson nova

Wilkinson antiga, como as Kluson


Já pra parte elétrica escolhi potenciômetros ALPHA, captadores em Alnico 5, fios de tecido, escudo Fender Standard, chave seletora Fender. Obs: Nesta foto ainda estava sem a chave seletora Fender adquirida posteriormente.





Agora hora de colocar a mão na massa. Como tinha que ser um projeto totalmente feito por mim, iria arriscar a pintura. Não tenho pretensões de me tornar um luthier, mas sim um autodidata pra fuçar meus instrumentos. Tenho meus projetos profissionais na área da saúde que passam longe disso, então essas experiências são como hobbie. Assim, todas as experiências citadas a seguir são minhas, não tem obrigação nem intenção de serem corretas no julgamento profissional dos amigos luthiers.  Por ser experimental, era uma oportunidade de eu aprender as técnicas de pintura, não tinha a pressão em acertar de primeira vez. Pra isso decidi comprar uma pistola de pintura para aprender, treinar e depois pintar a guitarra. Não queria, nem tinha grana para investir muito nisso, então resolvi comprar um equipamento amador e barato. Vi uns vídeos no youtube e achei que seria possível uma boa pintura usando uma pistola pulverizadora, já que a mesma consegue pressão suficiente para formar a névoa de tinta, que permitiria uma aplicação de tinta sem escorrer sobre o corpo. Só aprender a regular o bico e pronto!!! Ela é barata, funcional e de simples uso para pequenos projetos. Não me arrependo, ainda está em pleno uso quando preciso dar acabamentos nos meus pedais handmades. Único ponto negativo é ser de plástico, assim, os solventes de pintura em contato prolongado acaba deteriorando o material plástico do bico. Se fosse metálica seria perfeita pra trabalhos pequenos como este. Então uma dica é colocar os produtos (seladora, tinta e verniz) só no momento em que for usar e logo depois já limpar a pistola.  




FOTO PISTOLA.


Mãos à obra:
Materiais:
- 3 lixas 120
- 3 lixas 220
- 3 lixas 320
-3 lixas 400
- 6 lixas 600
- 2 lixas 1200
- 2 lixas 2000
- Taco para lixar (pode ser feito com pedaço de madeira com borracha na base, 7cmx13cm)
- Pistola Pulverizadora
- Flanelas limpas para limpar os materiais antes de aplicar a seladora, tinta e verniz)
- 300 ml de seladora nitrocelulose Sayerlack (irá diluir, então o volume final será por volta de 500ml)
- 400ml de tinta DUCO branca
- 400ml de tinta DUCO Sonic blue
- 400ml de Verniz Laca nitrocelulose
- 1 rolo de fita crepe para proteger escala do braço e cavidades do corpo.
- Massa numero 2 para polir
- Cera automotiva para polir
- 2 litros de diluente Sayerlack/Thinner (para diluir e lavar a pistola)

Pessoal, o volume de seladora, tinta e verniz é o suficiente pra fazer todo processo e ainda sobrar. Coloquei um volume maior já que se tratava de um teste, então a probabilidade de erros era grande. Esperei chegar as minhas férias pra ir pra casa dos meus pais no interior, pra fazer tudo no quintal mesmo. Como moro em outra cidade e em apartamento isso não seria possível. Assim, a primeira parte foi retirar a tinta original do corpo SC preto. Usei lixa numero 100 até retirar todo o verniz e uma boa parte da tinta. Depois fui pra lixa 220 pra não arranhar a madeira com um grão de lixa grosso, depois lixa 320, 400 e 600 (essa ultima etapa com lixa fina faz com que necessite de menor quantidade de seladora pra tapar os poros da madeira). Não recomendo utilizar removedor de tinta, apesar de ser mais prático e não desnivelar a superfície do corpo, pois restos do produto podem penetrar nas fibras da madeira e atrapalhar o resultado final. Para evitar ondulações na superfície ao lixar, usem sempre um taco de lixar, assim a superfície permanece plana.






Após lixado e limpo, o corpo vai p/ aplicação da seladora. Usei a seladora com base nitrocelulose da Sayerlack, segui as recomendações do fabricante nas porções de diluição. Foram 3 ademãos bem finas até cobrir todos os poros do corpo e 24 horas de secagem completa. Depois usei lixa dágua 600, limpei e parti para o terceiro passo... hora de preparar o fundo branco e a tinta DUCO Sonic Blue. Relic com ar de naturalidade tem que ser feito usando selador, tinta e verniz em nitrocelulose. Assim, fica o mais próximo de uma Fender pré-cbs que eram pintadas com estes produtos. Escolhi no catálogo uma tinta DUCO na cor branca, que não lembro o nome específico, e um azul que achei parecido. Comprei em loja de tinta automotiva, o cara preparou na hora. Comprei 400ml de cada e foi o suficiente, até sobrou. A  tinta ficou um pouco forte, então misturei um pouco da tinta branca para clarear e cheguei à perfeição, na minha opinião.




Dando sequência, apliquei 3 ademãos bem finas do fundo branco e esperei 24 horas de secagem. Depois uma lixa dágua bem leve, numero 600 só pra retirar possíveis defeitos na aplicação do fundo e criar atrito p/ aumentar a fixação com a tinta Sonic Blue, que virá por cima. Esse tipo de coisa não li nem aprendi com ninguém, veio de suposições próprias, então pode não ser o usado pelos profissionais.



Apliquei essa tinta DUCO branca como fundo pra ficar com o mesmo visual das pré-CBS, quando iniciar o relic ele aparecerá.  Dá esse aspecto de degradê, com o amarelado do verniz, Sonic Blue, fundo branco e madeira.




Continuando apliquei 3 ademãos de Duco Sonic Blue, 24 horas de secagem e lixa d’água 600 pra uniformizar a superfície e diminuir a “casca de laranja”. Depois, uma ultima ademão fininha de Sonic blue, 24 horas de secagem, lixa d’água 600 e limpeza.



                                
Partindo para última etapa, aplicação do verniz nitro. Utilizei o verniz Laca Nitro da Sayerlack e segui rigorosamente as instruções do fabricante. Apliquei 3 ademãos de verniz e esperei 24 horas de secagem. Depois iniciei o processo uniformização da superfície, usei lixas dágua 600, 1200 e 2000. Lembrando que nessa etapa, este processo de lixamento é feito utilizando um taco de lixar e lixas molhadas em sabão com detergente. Após isso, inicia-se o polimento com massa de polir numero 2. Haja força nos braços para o polimento...isso cansa muito. Uma politriz elétrica pode te ajudar muito nesta etapa. Depois de polida com a massa numero 2 aplico a cera de polir automotiva. O resultado foi magnífico pra um trabalho amador e utilizando apenas ferramentas simples.




Para o braço apliquei o verniz pigmentado, pois o mesmo já vinha com o logotipo Fender e não queria perdê-lo. Como o acabamento era de nitro, só dei uma lixada com grão 600-1200 para retirar pequenos defeitos e apliquei o novo verniz por cima. Fiz uma camada bem fina pra não ficar com acabamento muito grosso. Depois de seco foi lixado novamente e polido.



Algumas fotos do processo em andamento, ainda sem o relic.







Desde o início do processo de pintura o William Oliveira se empolgou, e me ajudou com tons e códigos de tintas usadas pela Fender. Como ele foi acompanhando todo o processo, ele se apaixonou pelo projeto, até mais do que eu, que estava executando. Então ele começou a me importunar querendo comprar a guitarra quando pronta. Neguei todas as propostas, pois era um projeto pessoal e não profissional. Já tínhamos feitos outros negócios no passado, inclusive tinha vendido uma Fender Standard MIM pra ele em 2012. Mas, sabe aquele cara chato que todos os dias fica te enchendo o saco querendo fazer negócio? Pois bem, ele é assim rsrsr. Acabei desistindo e fiz o compromisso de passá-la depois que termina-la e ficar um tempo com a guitarra pra curtir um pouco. A essa altura do campeonato ela já estava quase pronta, faltavam detalhes, faltava o relic da pintura e do hardware.

Mandei fazer um carimbo com a data em que terminei a pintura e assinei meu nome em todas as partes da guitarra (corpo, escudo e braço), pra evitar que seja vendida um dia como reissue para algum desavisado. Está longe de ter ficado perfeita, mas muita gente não sabe diferenciar nem uma standard falsa, quanto mais uma reissue. Então tentei deixar essas marcas pra não ser vendida como original.




















Combinei com o William que ele nunca desfaça dessa guitarra, mas se algum dia tiver que vendê-la, por motivos de forças maiores, terá que me avisar, pois terei o direito de compra pelo mesmo preço que vendi. Somos de um tempo em que a palavra ainda tem valor, e espero compromisso por parte dele. Amizade tem dessas coisas rsrs. Essa guitarra pode ser identificada como réplica facilmente, só desmontá-la e ver minhas assinaturas, datas, madeira do corpo pelo encaixe do braço e etc. Sem desmontá-la existem pouquíssimos detalhes aparentes que entregam ser uma réplica. E aí, você consegue identificá-los? Comente no espaço de comentários suas impressões. O processo de Relic do hardware, pintura e plastico será descrito em outra oportunidade, já que o texto ficou muito extenso.
Finalizando, fiquei cerca de 2 meses com a guitarra e enviei ao amigo por preço de custo. Hoje o William Oliveira diz ser uma das guitarras preferidas de sua coleção, tanto por beleza, como por tocabilidade e timbre. 

Grande abraço a todos amigos do Blog.

Moisés Figueiredo

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Lançamento Expomusic: Giannini Supersonic (Edição comemorativa 115 anos)


Tive o prazer de conhecer (e testar) a tão esperada Giannini Supersonic, edição comemorativa de 115 anos na Expomusic desse ano. Gostaria de fazer meu review pessoal sobre o instrumento.



Dann Costara realizando o que muitos gostariam de ter feito na Expomusic 2015

PROPOSTA: homenagear a Supersonic modelo 60' nos 115 anos da Giannini. 

DESIGN: o corpo é quase idêntico ao original, com pequenas mudanças na parte de trás, junção do corpo com o braço. O braço é bem confortável de tocar, apesar de ser levemente mais grosso do que o da clássica. O Head tem o design quase idêntico e chama atenção pela logo escolhida. Fiquei sabendo que no caso da Supersonic 60', a logo do headstock foi uma dica valiosa do mestre Roberto Fontanezi. A parte de trás tem o selo comemorativo e a informação que ela é montada (assembled) no BRASIL! Tem um tensor (que não existia no modelo tradicional) que fica na parte inferior do braço, super confortável pra regular. 



MADEIRAS: corpo em Alder, braço em Maple canadense e escala em Rosewood. 




CAPS: três single coil, enrolados sob medida, imitando o modelo clássico. A impedância e as combinações também são iguais ao modelo 60. As três chaves seletoras são brasileiras! Os knobs são aqueles 'chapéu de bruxa' usados em modelos SG, preto translúcido com alumínio na parte de cima. A ponte é Wilkinson, tipo Strat, com uma alavanca que proporciona uma ação fraquinha, meio dura. O escudo não é tortoise, apesar de parecer. Foi minha decepção. 




TOCABILIDADE: A tocabilidade dela é muito boa e tem todas aquelas combinações de captador, únicas da Supersonic.

TIMBRE: O som é espetacular, com muita saída, muito ataque, e eu fiquei sabendo que ela foi aprovada pelo criador, o mestre Carlos Alberto "Sossego", que acompanhou todo o processo de relançamento, dando informações valiosas para o pessoal do desenvolvimento. 


TIRAGEM LIMITADA: Segundo eles, foram fabricadas apenas 50 UNIDADES, ou seja, é um lote exclusivo para fãs, colecionadores etc. 

VALOR: Por conta desse monte de detalhes, o preço tende a ficar um pouco salgado, beirando os 2 mil reais. Existe a possibilidade, caso faça sucesso, de a marca lançar uma versão mais popular, com corpo em baswood e peças genéricas com preços mais acessíveis. Bom, foi minha impressão desse relançamento. Quero ser um dos 50 felizardos em ter essa beleza na parede. 



PRÓXIMO LANÇAMENTO: a GEMINI vem aí!! 2016 realmente promete!



Giannini Gemini anos 60'

A Giannini inclusive respondeu aos emails enviados por um fã que postou no grupo de guitarras brasileiras vintages:

Giannini: "Olá Marco, boa tarde! Desculpe a demora para lhe retornar. Diante das manifestações e das opiniões que aqui foram compartilhadas e até nos próprios grupos de admiradores de instrumentos antigos que sempre são de extrema valia para a Giannini iremos conversar com nossa Diretoria para que esta decisão de produzir somente 50 unidades seja repensada. Mais uma vez agradecemos por sua atenção e por seu carinho conosco".


Dann Costara




--

Apenas para acrescentar a minha opinião dentro do post do Dann, quando fiquei sabendo do lançamento dessa guitarra fiquei eufórico conforme todo mundo com o que iria vir. Claro que também pairava no ar o medo de que a Giannini pudesse cometer os mesmos erros do passado, quando relançou reedições que quase ninguém aprovou devido a alterações grotescas nos instrumentos considerados clássicos vintages e originais. Dessa vez, confesso que a Giannini me surpreendeu positivamente. A Supersonic da edição comemorativa dos 115 anos realmente é muito linda, ainda não vi pessoalmente mas me pareceu um instrumento muito bem construído e acabado. Certamente foi construída lá fora (talvez China) e montada aqui no Brasil. Tenho apenas duas reclamações que gostaria de deixar aqui manifestada como minha opinião: aquela ponte utilizada com dois pinos/pivôs é considerada de padrões modernos e absolutamente não combinou com o instrumento, que apesar de ser Wilkinson, mereceria uma ponte no estilo vintage de seis parafusos. Acredito que esse tenha sido o maior erro de escolha do hardware nesse instrumento, não faz sentido nenhum algo clássico utilizar hardware com conceitos modernos. A segunda coisa que achei que não combinou foi essa seleção de madeiras, o Alder e o Maple decididamente não são madeiras nacionais e eu acho que não tem absolutamente nada a ver com esse instrumento que se auto denomina brasileiro. Poderiam ter feito as 50 unidades como o modelo original dos anos 60, corpo em Cedro e braço em Peroba conforme o original da época ou até mesmo o clássico Marfim com escala em Jacarandá da Bahia. Pois bem galera, essa é apenas a minha opinião e ninguém é obrigado a concordar com ela, nem mesmo a Giannini. Certamente irei lutar para ser um dos felizardos e tentar obter uma dessas 50 unidades para poder acrescentar no meu acervo e fazer par para a minha Giannini Supersonic 60' clássica e original com quase 50 anos.

William de Oliveira



Giannini Supersonic 60'

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Um pouco de história: Walczak Stratocaster - Made in Brazil



Olá pessoal, dessa vez vou apresentar a vocês um instrumento nacional que merece um destaque! Então vamos lá:


Especificações do modelo:


Nome: Walczak
Modelo: Stratocaster
Série: WZ815
Madeira do corpo: Cedro Rosa
Madeira do braço/escala: Marfim / Pau Ferro
Número de casas: 22
Configuração dos captadores: SSS
Captadores: Cerâmicos originais (Wilkinson?)
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Vol e 2 Tones
Cores: Black
Ponte: VintageStyle Wilkinson – 6 parafusos
Tarraxas: Wilkinson EZ Lock
Trastes: Jumbo
Escudo: Black 3 ply
Knobs: Black
Fabricação: Made in Brazil
Ano: ???
Fabricante: Walczak





- História

A Walczak inicialmente era conhecida por ASW, a qual era formada por um grupo de luthiers que eram responsáveis por todo o processo de desenvolvimento, designed e fabricação. Após um determinado tempo, por razões não muito bem esclarecidas, a marca deixou de existir e então veio a atual Walczak, que tem como os fundadores dois dos luthiers que constituíam a marca anterior.




- A fábrica

A marca teve como objetivo inicial criar uma linha com os modelos mais clássicos no mundo da música, porém com um designed um pouco fora do padrão, tornando assim os instrumentos exclusivos. Além disso, o comprador tinha a opção de customizar o instrumento por completo (madeiras, hardware, captadores, cor, acabamento, etc), algo totalmente inovador no mercado brasileiro, onde isso só era possível através de luthier’s particulares.

A marca foi ganhando destaque e conquistando os músicos que adquiriam seus instrumentos, porém de uma hora para outra a marca deixou de ser prestativa e atenciosa com seus clientes, o site responsável pelas vendas foi desativado e a Walczak foi perdendo o mercado.
Enfim, chega de papo e vamos falar do que realmente interessa a nós!

- WZ815

Esse é o modelo stratocaster da marca, com algumas linhas que fogem do “padrão Fender”, porém mantendo a alma do modelo em questão.

Madeiras: a guitarra é composta por cedro rosa (corpo) e marfim/pau ferro (braço); lembrando que quando a marca ainda estava na ativa, as madeiras podiam ser escolhidas conforme o gosto do comprador.

Hardware: o ponto forte da guitarra; as tarraxas são Wilkinson EZ Lock (um sistema desenvolvimento pela marca onde a existência de dois furos no pino das tarraxas fazem com que a afinação seja mais estável), a ponte é Wilkinson Vintage com big block (essa foi a única strato da marca que vi com essa ponte de 6 parafusos, todas as demais possuem 2 pivôs – semi flutuante, cheguei a entrar em contato com a Walczak sobre isso, porém ainda não obtive resposta; quanto ao big block, é uma peça fundamental nas stratocaster, pois ajuda a dar corpo no timbre e aumenta o sustain das notas).

Captadores: as Walczak “atuais” saíam de fabrica com captadores Wilkinson, porém os que se encontram em minha guitarra não tem nenhuma  inscrição/logo, são cerâmicos, honestos, mas merecem ser substituídos por um trio de Alnico de melhor qualidade, para acompanhar o restante da qualidade do instrumento.

Conforto: o shape do braço é bem macio e junto aos trastes jumbo, tornam a guitarra com uma pegada muito confortável; o corpo também apresenta uma boa ergonomia, porém um pouco pesado para uma stratocaster, mas nada de tão anormal assim.

Timbre: não acho o cedro uma madeira que combine muito com as stratocaster (apenas minha opnião pessoal), pois o som fica um pouco mais fechado e com menos ênfase nos agudos (como é de costume em tal modelo); associado ao captadores cerâmicos esse timbre em particular fica ainda mais evidente, a troca por captadores em alnico com certeza daria um bom upgrade na guitarra (que ao meu ver, esse é o único ponto fraco da mesma).

Considerações finais: trata-se de um instrumento de qualidade, para quem busca algo bem construído e com um excelente custo x benefício.

Ao meu ver a guitarra é completa por inteira, apesar da minha ressalva com os captadores, isso não é algo necessário, apenas gosto pessoal.


Erich Von Farah