O Blog destina-se a todos os músicos, apreciadores e colecionadores de guitarras com foco nas Stratocasters, para compartilhar informações sobre minha coleção particular e somar experiências. O Blog não se destina a fazer apologia a ostentação ou qualquer outra forma de exibicionismo pessoal. PS: a partir de agora todas as dúvidas deverão ser postadas nos comentários e respondidas apenas aqui. Nosso trabalho é voluntário e sem fins comercias. Obrigado!
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Um pouco de história: Dolphin Stratocaster - Made in Brazil
Olá pessoal, dessa vez vou apresentar a vocês outro instrumento nacional que merece um destaque! Então vamos lá:
Nome: Dolphin
Modelo: Stratocaster
Madeira do corpo: Mogno
Madeira do braço: Marfim Imperial
Escala: Marfim Imperial
Escala: Marfim Imperial
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 21
Número de casas: 21
Headstock: Dolphin Headstock
Neck Plate: Era Assale (Sem neckplate) - Era pós Assale (Neck com 4 parafusos).
Configuração dos captadores: S/S/S
Captadores: Captadores de cerâmico revestidos com cover do tipo "Lace Sensor"
Chave seletora: Era Assale (3 botões) - Era Pós Assale (5 posições)
Controle: 1 Volume - 2 Tone
Cores: Preto, vermelho, amarelo, verde/azul metalizado.
Ponte: Vintage - 6 parafusos
Tarraxas: Originais
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs originais de fábrica
Fabricação: Made in Brazil
Era assale (1988/1989) Era Pós Assale (1990/1994)
Chave seletora: Era Assale (3 botões) - Era Pós Assale (5 posições)
Controle: 1 Volume - 2 Tone
Cores: Preto, vermelho, amarelo, verde/azul metalizado.
Ponte: Vintage - 6 parafusos
Tarraxas: Originais
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs originais de fábrica
Fabricação: Made in Brazil
Era assale (1988/1989) Era Pós Assale (1990/1994)
Fabricante: Dolphin
Período de Fabricação: Era assale (1988/1989) Era Pós Assale (1990/1994)
(Foto 1)
História
Em meados dos anos 80, os instrumentos no
país apresentavam qualidade duvidosa, tanto por conta da má qualidade dos
componentes disponíveis (além da dificuldade em exportar novos), quanto pela
“despreocupação” e falta de controle durante a construção.
O engenheiro Carlos Assale, em vista disso,
buscou melhorar o sustain dos instrumentos, desenvolvendo assim pontes com
maior quantidade de material ferroso, compensando assim a baixa ressonância dos
instrumentos em questão.
A partir daí, exatamente em 1984 surgiu a
Dolphin, a marca buscava principalmente a melhoria na qualidade dos
instrumentos circulantes no país, por um preço acessível.
Assale costumava dizer que o lema da
fábrica era “afinação e conforto”, desde os instrumentos de entrada até os mais
conceituados. Na época a marca recebeu muitas cartas de professores de música,
parabenizando o trabalho de Carlos e sua equipe.
O design inovador era marca registrada
também, sempre buscando modelos únicos e com diferentes possibilidades para
atender a todos os gostos.
Com pouco tempo de mercado a marca teve
acesso a produtos com maior qualidade, entre eles acessórios das marcas Gotoh,
Schaller, Kahler, Cor-tke (Cort), entre outros.
Em 1992, com a dificuldade em concorrer com
o mercado chinês e o convite da Giannini para desenvolver o projeto Southern
Cross, Assale acabou deixando o comando da marca.
Dia 2 de setembro de 2010, devido a
problemas de saúde, Carlos Assale nos deixou.
Obs: as informações foram coletadas a
partir de sites, fóruns e pessoas que conheciam Carlos Assale pessoalmente.
Dolphin Stratocaster
Apesar dos instrumentos da marca
apresentarem design únicos, a stratocaster permaneceu com suas curvas
tradicionais, agradando aos músicos da época (e também de hoje), que buscavam
tal modelo a um preço acessível e com uma boa qualidade.
(Foto 3)
- Corpo/braço
O corpo é em mogno, sendo em sua maioria
uma única peça; pesado, bem ressonante e dando um timbre um pouco menos agudo e
mais cheio do que o “padrão Fender”.
O braço em marfim (peça única) é
bem confortável, trastes finos (com a presença do traste zero) e com o tensor
no tróculo (sendo necessário usar uma chave de boca para sua regulagem). O
headstock sofreu algumas modificações com o tempo e também recebeu a inscrição
“strato”.
(Foto 4)
- Captadores/elétrica
Os captadores eram simples, de baixa saída e com o cover
liso (tipo EMG). A parte elétrica também sofreu alterações, as primeiras
stratos apresentavam 3 botões on/off individuais, e posteriormente foram
substituídos pela chave seletora tradicional.
(Foto 5)
Conclusão
Já tive 3 exemplares, sendo dois deles dos
anos 90 e um dos anos 80, é um instrumento que sempre me agradou muito, mas fui
obrigado a me desfazer com o tempo.
Para quem gosta de guitarras antigas e
busca algo “útil”, que não necessite de uma porção de reparos para se tornar
“tocável” (vide Giannini, Tonante, etc..), acredito ser uma das melhores
opções.
Carlos Assale é um dos nomes que contribuiu
mundo para o avanço dos instrumentos no país!
(Foto 6)
(Foto 7)
(Foto 8)
(Foto 9)
Legenda:
Dolphin “pósAssale”: (foto 1)
Obs: Toda original.
Dolphin “era Assale”: (foto 2)
Obs: A pintura, knobs e tarraxas não são
originais.
Dolphin “era Assale”: (foto 3)
Obs: Toda original.
Dolphin “pós era Assale”: (foto 4)
Obs: Toda original.
Dolphin "Pós era Assale": (Foto 5)
Obs: Detalhe do captador.
Dolphin “pós Assale”: (foto 6)
Obs: O captador do braço não
original.
Dolphin “era Assale”: (foto 7)
Obs: Headstock Era Assale.
Dolphin “era Assale”: (foto 8)
Obs: Headstock Era Pós Assale.
Dolhpin "pós era Assale": (foto 9)
Obs: Etiqueta com número de série no backplate.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
As quatro maiores invenções/descobertas da humanidade
Olá amigos, o post de hoje é muito simples: "as quatro maiores invenções/descobertas da humanidade". Você deve de estar se perguntando nesse momento o que isso tem a ver com o blog. Muito simples, representa algumas "mudanças", e logo mais você irá entender. Pois bem, vamos as quatro descobertas mais fascinantes:
* Fogo: sem ele, pense bem, não haveria praticamente nenhum desenvolvimento em absolutamente nada... haveriam perdas significativas em todas as áreas possíveis de se imaginar. Sua linda guitarra que hoje você tanto ostenta no suporte da sua parede não estaria lá, aliás, talvez nem a parede que dá sustentabilidade ao suporte estaria lá, quanto mais o instrumento. Sem o fogo, você não teria os confortos de hoje, pois a humanidade não teria se desenvolvido e muito provavelmente você nem existisse. Lembre também que se não tivéssemos descoberto o fogo, jamais iríamos presenciar o espetáculo que foi ver Hendrix colocando fogo em sua Stratocaster (embora eu seja contra essa maldade hehe).
* Roda: sem dúvidas foi a segunda melhor criação do homem, essa pequena ferramenta possibilitou o transporte de cargas, objetos e pessoas, se não existisse a roda, você também não teria essa Fender que tanto ostenta dentro do seu case, porque eu duvido muito que a indústria teria a evolução que conhecemos hoje e certamente Leo Fender encontraria bem mais dificuldades do que enfrentou em meados dos anos 40 e início dos anos 50, e muito provavelmente não conseguiria produzir os instrumentos que produziu. Mas então você pode pensar, "mas na genialidade dele, mesmo sem a roda e os sistemas de transporte que existiam nos anos 50, mesmo assim ele daria um jeito de inovar e colocar em prática todas as criações dele, entre elas a Stratocaster". Mas então eu pergunto: e como essa Fender faria para vir lá dos USA para a America do sul? Viria a cavalo? Lembra que sem a roda, nem mesmo de carroça ela poderia vir. Mas então viria por alguma embarcação pelo mar, você poderá responder. Lembrando que sem a roda e o avanço nos meios de transporte que conhecemos hoje, certamente afetaria o desenvolvimento da indústria naval e não teríamos os "cargueiros" que conhecemos hoje e que diariamente aparecem ancorados nos portos desse Brasil varonil.
* Stratocaster: a Strato foi certamente a terceira melhor invenção do homem. Pense, se Leo Fender tivesse sofrido de um adoecimento que o impedisse de fazer todas as criações que desenvolveu, como que Hendrix faria para se tornar a lenda que se tornou? Como Stevie Ray Vaughan tocaria suas músicas? Como Eric Clapton timbraria seus instrumentos? Como seria a técnica do Yngwie Malmsteen em outro modelo de guitarra? Será que o sueco sofreria com essas consequências? Mas então você certamente pensaria: "seriam gênios mesmo assim, pois tocariam e desenvolveriam suas músicas com outros modelos". Você pode até estar certo, mas será que fariam o mesmo sucesso? Como seriam suas músicas sem a Stratocaster? Como seria o timbre deles? Eu não me arriscaria em mudar o passado. A Stratocaster está aí e veio para ficar.
* Les Paul: a Les Paul foi certamente a quarta melhor invenção do homem. Pense, se Ted MCcarty com a ajuda de Les Paul (que foi um grande músico, guitarrista e inventor americano em meados dos anos 30 e 40) não tivesse inovado e criado suas próprias guitarras, como a Gibson iria satisfazer o mercado mundial sem o modelo mais popular e utilizado no planeta? O pai da invenção mais importante comercializada e produzida pela Gibson e por tantas outras empresas importantes, certamente tem grande importância e reconhecimento pelos principais artistas do mundo inteiro. The Edge, Keith Richards, Slash, Jimmy Page certamente teriam dificuldades em adaptar seus estilos pessoais a outros modelos de guitarras.
Bom, e o que isso tem a ver com o blog? A um tempo atrás eu fiz uma enquete perguntando se deveríamos apenas seguir publicando sobre o modelo Stratocaster (foco principal do blog) ou se poderíamos fazer postagens sobre outros modelos. É claro que não tivemos surpresas no resultado e ficou claro que o leitor que entra aqui quer saber sobre as Stratos e nada mais. Nada mais? Vocês não adorariam ver posts relacionados a pedais, amplificadores, captadores e tudo mais? Duvido que não.
Além disso, e porque não, abordar outros modelos? É claro que, minha intenção não é fazer do blog uma ferramenta sem sentido ou uma salada de frutas. Por isso, o foco principal vai continuar sendo as Stratocasters, mas eu vou sim deixar claro de uma vez por todas: outras coisas virão! E no próximo post irei publicar uma nova coluna, que irá acrescentar as já populares e conhecidas colunas Amigo Strateiro, Raridade do Mês, Galeria de arte Stratocaster e Um pouco de história. A coluna intitulada "Diário de um Strateiro" será preservada e dividirá espaço com outra coluna, mas não será extinta. Na coluna Diário de um Strateiro, é feita a narração de uma história popular juntamente com o instrumento, abrindo uma exceção: qualquer modelo, inclusive violões e baixos. Á partir de agora, dividirá espaço com uma nova coluna que se chamará "Stratosfera", e nela estará incluídas os posts referentes a qualquer coisa do mundo da música e instrumentos musicais, como por exemplo Les Paul, Soloist, Superstrato, Telecaster, Flying V, SG, etc..etc.. Também entrará aqui os artigos publicados que virão sobre pedais, captadores, amplificadores e demais atualidades do mundo da música (artistas, shows, eventos). Agradeço a todos que acompanham o Blog, e dou-lhes a segurança de que o foco principal sempre será a Stratocaster, mas pelo menos uma vez por mês será publicada a coluna "Stratosfera" onde várias novidades poderão aparecer do mundo da música. Fiquem ligados!
William de Oliveira
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Amigo Strateiro: Tagima Signature Juninho Afram JA2
Olá amigos, apresento para o mês de Outubro na coluna "amigo strateiro", a primeira publicação do amigo Wesley Rodrigues a participar e postar sua experiência com essa Tagima Juninho Afram, além de ter a oportunidade de mostrar seu instrumento.
Conforme mencionei nas outras vezes, outras pessoas também podem usar esse espaço para compartilhar informações e experiências com seus instrumentos, nada mais legal do que somar vivências. Quer que sua Stratocaster seja postada no blog? Entre em contato conosco. A única regra é: o instrumento precisa "ser strato" e o amigo precisa "ter a strato".
Dando continuidade nesse espaço, convido para o mês de Outubro o amigo Wesley Rodrigues, proprietário de uma popular Tagima Signature Juninho Afram.
Nome: Wesley Rodrigues
Cidade: Boituva/SP
Proprietário: Tagima Signature Juninho Afram
Serial Number: 532651
Especificações do modelo:
Nome: Tagima
Modelo: StratocasterSérie: Signature Juninho Afram JA2
Madeira do corpo: Cedro
Madeira do braço: Marfim
Madeira da escala: Marfim com marcações em Ebalone
Número de casas: 22 trates
Configuração dos captadores: H/S/H
Captadores: 2 Humbucker Modelo Hot Bucker, 1 Single T-Standard Tagima
Número de casas: 22 trates
Configuração dos captadores: H/S/H
Captadores: 2 Humbucker Modelo Hot Bucker, 1 Single T-Standard Tagima
Chave seletora: cinco posições
Controle: 1Vol e 1 Tone
Cores: Vermelho Craquelado
Ponte: Tagima
Controle: 1Vol e 1 Tone
Cores: Vermelho Craquelado
Ponte: Tagima
Escudo: Preto
Knobs: Pretos
Fabricação: Made in Brazil
Knobs: Pretos
Fabricação: Made in Brazil
Ano: 2010
Fabricante: Tagima®
Serial Number: 532651
Fabricante: Tagima®
Serial Number: 532651
Conte um pouco da sua história
com o instrumento: onde, como e quando comprou.
Comecei estudar guitarra aos 13
anos e como a maioria dos guitarristas do meio cristão, minha
grande influência foi e é o Juninho Afram, eu ficava pasmo ao ver os
solos dele, como um sonho de criança minha maior vontade era ter uma Tagima
JA, passei anos procurando mas lembro que sairia muito caro para um
adolescente de 12 anos. Alguns anos se passaram e quando de repente encontrei um
colega anunciando ela em um site de vendas e por um preço ótimo,
juntei umas economias e consegui comprar meu sonho desde pequeno, uma Tagima JA
signature.
Para você, o que
representa ter uma Tagima Signature?
É uma satisfação imensa, além
do fato de ser realização de um sonho, é um orgulho
saber que consegui chegar no meu objetivo.
Como você definiria o
som desse instrumento?
Muito bem encorpado, timbres bem
definidos de uma strato, uma ótima guitarra para quem procura um timbre
bem definido com clareza.
Qual o principal ponto forte
dessa guitarra?
Ela vai das distorções
sujas aos drives limpos timbrando muito! Por onde passo levo elogios sobre a
guitarra.
Qual o principal ponto fraco
dessa guitarra?
As JA's são fabricadas com 22
trastes... Eu prefiro 24 trastes (por tocar alguns estilos de rock) porém
todas elas são fabricadas com essa característica.
Pretende fazer algum upgrade ou
alguma modificação na guitarra?
Pretendo colocar um Seymour
Duncan na ponte, preciso de apenas um pouco mais definição nos harmônicos.
O que você diria as
pessoas que não conhecem as guitarras da série signature ou que sempre
duvidaram da qualidade desses instrumentos produzidos pela Tagima?
Não nego que a Tagima tem um custo
beneficio alto em questão dessas linhas, porém,
o instrumento nunca me deixou na mão, valeu a pena ter pago cada centavo, o
acabamento, a sonoridade, a estética e o conjunto ao todo são
muito bons e satisfatórios, é um produto "nacional" de uma ótima
qualidade.
Ao lado, em detalhe captadores e ponte Floyd Rose
Foto da riqueza de detalhes do craquelado
Wesley com sua emblemática Tagima Juninho Afram Signature
domingo, 4 de outubro de 2015
Em busca de uma lenda: Um violão perdido em Takayama
Olá amigos, para a postagem da coluna "Diário de um Strateiro" referente ao mês de Outubro, posso antecipar para o amigo leitor que será feita aqui a narração popular de uma incrível viagem pela terra do sol nascente. Tirar das ruas do Japão um instrumento vintage e emblemático como será narrado á seguir, não é tarefa para qualquer um, é tarefa para o super Fernando Temporão.
Eu tô em Takayama, uma pequena cidadela secular nas montanhas aqui no Japão, uma cidade serrana pitoresca e agradável. Fugido da loucura de Tóquio, já havia desistido de levar pra casa uma viola made in Japan (quem me conhece sabe que sou chegado à uma viola antiga). Tendo os japas construído excelentes violões como os Morris, Yamahas, Yamakis e Takamines nas décadas de 70 e 80, estava no meu script levar um exemplar pra casa. Mas por falta de tempo e de grana, desisti da ideia com bastante resignação até.
Pois hoje, domingo de manhã, estou batendo perna por essa Teresópolis Japonesa e avisto uma feirinha livre na rua, dessas que as pessoas colocam as suas velharias à venda. Baús, chaveiros, máquinas fotográficas, mesinhas e toda sorte de bugigangas encalhadas e empoeiradas.
Eis que surge na minha frente, ao chão, um Yamaha, todo sujo, servindo de mesa para bonequinhos, elefantes e potinhos. Friozinho na barriga. Viro pro tiozinho da barraca e pergunto quanto ele quer na viola, esperando um valor justo, aceitável. Ele diz: "Três mil Ienes". Pelo câmbio que paguei, isso significa exatos 99 reais, ou seja, o tiozinho não estava vendendo a viola, estava DANDO pra quem quisesse. Três mil ienes é o valor de um almoço.
Eu, que já estou com uma mala e mochilas enormes e mais o violão que trouxe pra fazer os shows, estava ao mesmo tempo querendo melar o negócio pra não ter que carregar tanta tralha, mas com a certeza de que não pegar o violão seria a negação do meu destino nessa viagem.
Dei uma chance ao destino, virei pro tiozinho, fiz uma cara de que o violão estava maltratado, e disse "pago 2 mil ienes" (equivale a 66 reais). O velhinho sorriu, colocou o violão empoeirado no saco e me entregou.
Chego no hotel, verifico a etiqueta e descubro que se trata de um FG-201 fabricado no longínquo ano de 1976 no Japão, um violão raro, antigo, excelentes madeiras, sonzaço, loucura e desejo. Pelo preço de um combinado de sashimis.
"Que os anjos da música continuem iluminando esse caminho".
Fernando Penello Temporão
sábado, 3 de outubro de 2015
Uma lenda do Blues: Stephen "Stevie" Ray Vaughan
Olá amigos, hoje dia 03 de Outubro SRV estaria completando 65 anos se ainda estivesse vivo.. se aquele maldito helicóptero não tivesse caído.. mas bem, isso agora não vem mais ao caso, quero aproveitar a ocasião para escrever um pouco sobre essa lenda do Blues que revolucionou o jeito que timbramos uma Stratocaster. Na minha humilde opinião, ninguém nunca timbrou uma guitarra tão bem quanto ele, os acordes saíam limpos e vibrantes ao mesmo tempo, fazendo com que aquela Fender Stratocaster viesse a se tornar um ícone de desejo no universo musical. Suas canções traziam melodia, tanto na construção de acordes quanto nos seus solos rasgantes, Stevie Ray Vaughan parecia tirar de dentro da alma cada nota tocada e em cada verso cantado ao público, tinha a missão de fazer bem feito e geralmente o fazia. O perfeccionismo era uma das características do mestre e não havia como não perceber isso, em cada apresentação fazia questão de verificar todos os detalhes técnicos e nada podia falhar, afinal de contas queria dar o seu melhor. É verdade que enfrentou ao longo de sua carreira dificuldades apontadas como no caso do alcoolismo, considerado seu pior período artístico e musical, Stevie parecia perder tempo a cada vez que sucumbia aos desejos e efeitos do álcool, segundo as palavras de seus amigos e familiares.
Feliz aniversário meu eterno jovem amigo, Stephen "Stevie" Ray Vaughan (3 de outubro de 1954 - 27 de agosto de 1990) foi um músico, cantor, compositor, e produtor musical americano. Apesar de uma curta carreira dominante abrangendo sete anos, SRV é amplamente considerado um dos guitarristas mais influentes na história da música do Blues, e uma das figuras mais importantes do renascimento do blues na década de 1980. AllMusic descreve-o como "a rocking powerhouse de um guitarrista de blues que deu uma explosão de grande impulso nos anos 80, sua influência ainda se sentia muito tempo depois de sua morte trágica."
Nascido e criado em Dallas, Texas, Vaughan começou a tocar guitarra aos sete anos de idade, inspirado por seu irmão mais velho Jimmie. Em 1971, ele abandonou a escola e se mudou para Austin no ano seguinte. Ele tocou gigs com inúmeras bandas, ganhando um lugar na banda de Marc Benno, o Nightcrawlers, e mais tarde com Denny Freeman no Cobras, com quem continuou a trabalhar até o final de 1977. Em seguida, ele formou seu próprio grupo, Triple Revue Threat, antes de renomear a banda Double Trouble após a contratação do baterista Chris Layton e do baixista Tommy Shannon. SRV ganhou fama depois de sua performance no Montreux Jazz Festival em 1982, e em 1983 com o seu primeiro álbum de estúdio, Texas Flood, alcançando a posição 38. O álbum de dez músicas foi um lançamento bem sucedido comercialmente, que vendeu mais de meio milhão de cópias. Depois de alcançar a sobriedade no final de 1986, ele encabeçou turnês com Jeff Beck, em 1989, e Joe Cocker, em 1990, antes de sua morte em um acidente de helicóptero em 27 de agosto de 1990, com a idade de 35 anos.
Stevie Ray Vaughan foi inspirado musicalmente pelo blues rock americano e britânico. Ele favoreceu amplificadores "clean" com alto volume e contribuiu para a popularidade do equipamento musical vintage (principalmente de guitarras relicadas/vintages). SRV muitas vezes combinou vários amplificadores diferentes e tendo utilizado em conjunto efeitos mínimos com os pedais. Chris Gill da Guitar World, comentou: "O tom de guitarra de Stevie Ray Vaughan foi tão seco quanto um verão em San Antonio e como uma espumante limpa como uma debutante em Dallas" O produto do som natural de amplificadores com o amplo espaço limpo de pedais, no entanto, Vaughan ocasionalmente usava para aumentar seu som, principalmente para dar booster no sinal, embora ele ocasionalmente empregava uma rotação de gabinetes e pedais de wah para adicionar uma textura mais encorpada.
Vaughan recebeu vários prêmios de música durante sua vida e postumamente. Em 1983, os leitores da Guitar Player votaram nele como o "Best new talent and The best Electric Blues Guitar Player". Em 1984, o Blues Foundation nomeou "Entertainer of the Year and Blues Instrumentalist of the year', e em 1987, o Magazine Desempenho honrou com "Rhythm and Blues Act of the Year".
Ganhar seis prêmios Grammy e dez Austin Music Awards, fez com que fosse introduzido no Hall of Fame do Blues em 2000, e do Hall of Fame dos músicos em 2014. A Rolling Stone classificou Vaughan como o décimo segundo maior guitarrista de todos os tempos. Em 2015, ele foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll.
Imagens e ilustrações by Google imagens:
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