quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Lançamento Expomusic: Giannini Supersonic (Edição comemorativa 115 anos)


Tive o prazer de conhecer (e testar) a tão esperada Giannini Supersonic, edição comemorativa de 115 anos na Expomusic desse ano. Gostaria de fazer meu review pessoal sobre o instrumento.



Dann Costara realizando o que muitos gostariam de ter feito na Expomusic 2015

PROPOSTA: homenagear a Supersonic modelo 60' nos 115 anos da Giannini. 

DESIGN: o corpo é quase idêntico ao original, com pequenas mudanças na parte de trás, junção do corpo com o braço. O braço é bem confortável de tocar, apesar de ser levemente mais grosso do que o da clássica. O Head tem o design quase idêntico e chama atenção pela logo escolhida. Fiquei sabendo que no caso da Supersonic 60', a logo do headstock foi uma dica valiosa do mestre Roberto Fontanezi. A parte de trás tem o selo comemorativo e a informação que ela é montada (assembled) no BRASIL! Tem um tensor (que não existia no modelo tradicional) que fica na parte inferior do braço, super confortável pra regular. 



MADEIRAS: corpo em Alder, braço em Maple canadense e escala em Rosewood. 




CAPS: três single coil, enrolados sob medida, imitando o modelo clássico. A impedância e as combinações também são iguais ao modelo 60. As três chaves seletoras são brasileiras! Os knobs são aqueles 'chapéu de bruxa' usados em modelos SG, preto translúcido com alumínio na parte de cima. A ponte é Wilkinson, tipo Strat, com uma alavanca que proporciona uma ação fraquinha, meio dura. O escudo não é tortoise, apesar de parecer. Foi minha decepção. 




TOCABILIDADE: A tocabilidade dela é muito boa e tem todas aquelas combinações de captador, únicas da Supersonic.

TIMBRE: O som é espetacular, com muita saída, muito ataque, e eu fiquei sabendo que ela foi aprovada pelo criador, o mestre Carlos Alberto "Sossego", que acompanhou todo o processo de relançamento, dando informações valiosas para o pessoal do desenvolvimento. 


TIRAGEM LIMITADA: Segundo eles, foram fabricadas apenas 50 UNIDADES, ou seja, é um lote exclusivo para fãs, colecionadores etc. 

VALOR: Por conta desse monte de detalhes, o preço tende a ficar um pouco salgado, beirando os 2 mil reais. Existe a possibilidade, caso faça sucesso, de a marca lançar uma versão mais popular, com corpo em baswood e peças genéricas com preços mais acessíveis. Bom, foi minha impressão desse relançamento. Quero ser um dos 50 felizardos em ter essa beleza na parede. 



PRÓXIMO LANÇAMENTO: a GEMINI vem aí!! 2016 realmente promete!



Giannini Gemini anos 60'

A Giannini inclusive respondeu aos emails enviados por um fã que postou no grupo de guitarras brasileiras vintages:

Giannini: "Olá Marco, boa tarde! Desculpe a demora para lhe retornar. Diante das manifestações e das opiniões que aqui foram compartilhadas e até nos próprios grupos de admiradores de instrumentos antigos que sempre são de extrema valia para a Giannini iremos conversar com nossa Diretoria para que esta decisão de produzir somente 50 unidades seja repensada. Mais uma vez agradecemos por sua atenção e por seu carinho conosco".


Dann Costara




--

Apenas para acrescentar a minha opinião dentro do post do Dann, quando fiquei sabendo do lançamento dessa guitarra fiquei eufórico conforme todo mundo com o que iria vir. Claro que também pairava no ar o medo de que a Giannini pudesse cometer os mesmos erros do passado, quando relançou reedições que quase ninguém aprovou devido a alterações grotescas nos instrumentos considerados clássicos vintages e originais. Dessa vez, confesso que a Giannini me surpreendeu positivamente. A Supersonic da edição comemorativa dos 115 anos realmente é muito linda, ainda não vi pessoalmente mas me pareceu um instrumento muito bem construído e acabado. Certamente foi construída lá fora (talvez China) e montada aqui no Brasil. Tenho apenas duas reclamações que gostaria de deixar aqui manifestada como minha opinião: aquela ponte utilizada com dois pinos/pivôs é considerada de padrões modernos e absolutamente não combinou com o instrumento, que apesar de ser Wilkinson, mereceria uma ponte no estilo vintage de seis parafusos. Acredito que esse tenha sido o maior erro de escolha do hardware nesse instrumento, não faz sentido nenhum algo clássico utilizar hardware com conceitos modernos. A segunda coisa que achei que não combinou foi essa seleção de madeiras, o Alder e o Maple decididamente não são madeiras nacionais e eu acho que não tem absolutamente nada a ver com esse instrumento que se auto denomina brasileiro. Poderiam ter feito as 50 unidades como o modelo original dos anos 60, corpo em Cedro e braço em Peroba conforme o original da época ou até mesmo o clássico Marfim com escala em Jacarandá da Bahia. Pois bem galera, essa é apenas a minha opinião e ninguém é obrigado a concordar com ela, nem mesmo a Giannini. Certamente irei lutar para ser um dos felizardos e tentar obter uma dessas 50 unidades para poder acrescentar no meu acervo e fazer par para a minha Giannini Supersonic 60' clássica e original com quase 50 anos.

William de Oliveira



Giannini Supersonic 60'

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Um pouco de história: Walczak Stratocaster - Made in Brazil



Olá pessoal, dessa vez vou apresentar a vocês um instrumento nacional que merece um destaque! Então vamos lá:


Especificações do modelo:


Nome: Walczak
Modelo: Stratocaster
Série: WZ815
Madeira do corpo: Cedro Rosa
Madeira do braço/escala: Marfim / Pau Ferro
Número de casas: 22
Configuração dos captadores: SSS
Captadores: Cerâmicos originais (Wilkinson?)
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Vol e 2 Tones
Cores: Black
Ponte: VintageStyle Wilkinson – 6 parafusos
Tarraxas: Wilkinson EZ Lock
Trastes: Jumbo
Escudo: Black 3 ply
Knobs: Black
Fabricação: Made in Brazil
Ano: ???
Fabricante: Walczak





- História

A Walczak inicialmente era conhecida por ASW, a qual era formada por um grupo de luthiers que eram responsáveis por todo o processo de desenvolvimento, designed e fabricação. Após um determinado tempo, por razões não muito bem esclarecidas, a marca deixou de existir e então veio a atual Walczak, que tem como os fundadores dois dos luthiers que constituíam a marca anterior.




- A fábrica

A marca teve como objetivo inicial criar uma linha com os modelos mais clássicos no mundo da música, porém com um designed um pouco fora do padrão, tornando assim os instrumentos exclusivos. Além disso, o comprador tinha a opção de customizar o instrumento por completo (madeiras, hardware, captadores, cor, acabamento, etc), algo totalmente inovador no mercado brasileiro, onde isso só era possível através de luthier’s particulares.

A marca foi ganhando destaque e conquistando os músicos que adquiriam seus instrumentos, porém de uma hora para outra a marca deixou de ser prestativa e atenciosa com seus clientes, o site responsável pelas vendas foi desativado e a Walczak foi perdendo o mercado.
Enfim, chega de papo e vamos falar do que realmente interessa a nós!

- WZ815

Esse é o modelo stratocaster da marca, com algumas linhas que fogem do “padrão Fender”, porém mantendo a alma do modelo em questão.

Madeiras: a guitarra é composta por cedro rosa (corpo) e marfim/pau ferro (braço); lembrando que quando a marca ainda estava na ativa, as madeiras podiam ser escolhidas conforme o gosto do comprador.

Hardware: o ponto forte da guitarra; as tarraxas são Wilkinson EZ Lock (um sistema desenvolvimento pela marca onde a existência de dois furos no pino das tarraxas fazem com que a afinação seja mais estável), a ponte é Wilkinson Vintage com big block (essa foi a única strato da marca que vi com essa ponte de 6 parafusos, todas as demais possuem 2 pivôs – semi flutuante, cheguei a entrar em contato com a Walczak sobre isso, porém ainda não obtive resposta; quanto ao big block, é uma peça fundamental nas stratocaster, pois ajuda a dar corpo no timbre e aumenta o sustain das notas).

Captadores: as Walczak “atuais” saíam de fabrica com captadores Wilkinson, porém os que se encontram em minha guitarra não tem nenhuma  inscrição/logo, são cerâmicos, honestos, mas merecem ser substituídos por um trio de Alnico de melhor qualidade, para acompanhar o restante da qualidade do instrumento.

Conforto: o shape do braço é bem macio e junto aos trastes jumbo, tornam a guitarra com uma pegada muito confortável; o corpo também apresenta uma boa ergonomia, porém um pouco pesado para uma stratocaster, mas nada de tão anormal assim.

Timbre: não acho o cedro uma madeira que combine muito com as stratocaster (apenas minha opnião pessoal), pois o som fica um pouco mais fechado e com menos ênfase nos agudos (como é de costume em tal modelo); associado ao captadores cerâmicos esse timbre em particular fica ainda mais evidente, a troca por captadores em alnico com certeza daria um bom upgrade na guitarra (que ao meu ver, esse é o único ponto fraco da mesma).

Considerações finais: trata-se de um instrumento de qualidade, para quem busca algo bem construído e com um excelente custo x benefício.

Ao meu ver a guitarra é completa por inteira, apesar da minha ressalva com os captadores, isso não é algo necessário, apenas gosto pessoal.


Erich Von Farah

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SRV: 25 anos da perda de uma lenda! (Parte I)


É galera, parece difícil de acreditar que hoje completam vinte e cinco anos da morte daquele que, juntamente com sua Stratocaster, era implacável em cima dos palcos: Mr Stevie Ray Vaughan. Eu sempre tive muita curiosidade de saber mais sobre aquele fatídico e trágico 27/08/1990 e pesquisando pela internet descobri algumas curiosidades sobre o local do acidente e sobre a autópsia. Eu vou dividir o conteúdo em dois posts e colocarei as fotos da tragédia, além da narrativa das últimas horas do SRV, seu último show, sua última música. Nessa primeira parte, publicarei os detalhes da autópsia e a conclusão da perícia sobre as causas do acidente. O que vou postar então é a tradução do que encontrei, com as devidas referências. 




Alpine Valley em East Troy, WI está localizado no sudeste de Wisconsin e é realmente um resort de esqui. O helicóptero que Stevie Ray Vaughan estava se acidentou na manhã de 27 de agosto de 1990, logo após o show realizado na noite anterior. A localização é quase no topo da colina de esqui, localizado para a esquerda. O palco está localizado diretamente atrás do camera man e o helicóptero decolou sobre o local onde o cinegrafista está de pé. O diagrama abaixo da foto identifica o local exato do acidente. Também estão incluídas as FAA e relatórios da autópsia da época.





Este é um diagrama que nos foi dado por um funcionário da Alpine Valley. Ele circulou a área onde os destroços foram descobertos


                                    FINAL NTSB REPORT ON THE CRASH
NTSB Identification: CHI90MA244 .
The docket is stored on NTSB microfiche number 43569.
Nonscheduled 14 CFR Part 135: Air Taxi & Commuter
Accident occurred Monday, August 27, 1990 in ELKHORN, WI
Probable Cause Approval Date: 9/11/1992
Aircraft: BELL 206B, registration: N16933
                                                                   Injuries: 5 Fatal.


Quatro helicópteros estavam sendo usados à noite para transportar um grupo de músicos no curso perto de uma área de golfe Elkhorn, WI, para Chicago, IL. Quando o terceiro helicóptero (N16933) estava partindo, manteve-se em uma altitude mais baixa do que os outros, e o piloto girou para sudeste onde aumenta o terreno. Posteriormente, o helicóptero caiu nos terrenos montanhosos sobre 3/5 do ponto de decolagem. A elevação do local do acidente era de cerca de 100 pés acima do campo de golfe e 50 FT abaixo do cume da colina. Nenhuma falha de equipamento ou avaria foi encontrado na aeronave durante a investigação. Os pilotos dos outros helicópteros relataram que as condições de voo VFR apresentavam algum nevoeiro. Uma névoa foi vista perto da área do acidente e nevoeiro/cerração de intensidade variável, com manchas de baixas nuvens, mas as testemunhas disseram que as estrelas podiam ser vistas através da neblina.


O National Transportation Safety Board determina a provável causa (s) deste acidente como segue:


Planejamento inadequado/decisão pelo piloto, e sua incapacidade de atingir ALTITUDE ADEQUADA antes de voar sobre o aumento do terreno durante a noite. Fatores relacionados ao ACIDENTE FORAM: Escuridão, Névoa, Neblina, Aumento do terreno, e a falta de pontos visuais que estivessem disponíveis para o piloto.


AUTOPSY REPORT



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Raridade do Mês: Guitarra El Maya Stratocaster


Olá amigos, venho trazer nesse post dedicado à raridade do Mês de Agosto, uma edição produzida nos anos 70 pela empresMaya Guitar Company, responsável direta pela produção das mais belas, simples e econômicas Stratocasters já construídas em solo japonês: estamos falando, é claro, das belíssimas El Maya Stratocasters. 

Criada no Japão em meados dos anos 1970 pela Maya Guitar Company como "El Maya" para o mercado europeu e posteriormente também como "Suntech" para o mercado norte-americano, trata-se de uma guitarra muito bem construída, com notável qualidade sólida corporal (aproximadamente 4,0 kg), segundo o dono do instrumento afirmou no anúncio do Ebay: "os captadores têm mais poder do que uma Fender American Standard e simplesmente toca muito bem"!

Não se enganem amigos, apesar da aparência ela não é uma Giannini AE08s e apesar de muitos acharem que a Giannini inovou com a criação desse modelo, ela não criou nada, apenas copiou. Irei abordar esse assunto em um outro post que logo será postado ainda nesse mês de Agosto. Eu apenas não consegui descobrir a série dessa El Maya, se alguém souber por favor entre em contato ou poste uma mensagem nesse post mesmo. 


Especificações do modelo:

Nome: El Maya
Modelo: Stratocaster
Série: 
Madeira do corpo: Walnut
Madeira do braço: Maple
Número de casas: 21
Madeira da escala: Rosewood
Chave seletora: 3 posições
Configuração dos captadores: SSS
Captadores: Originais
Ponte: Original - 4 parafusos 
Controle: 1 Volume e 2 Tones
Cores: Natural
Escudo: Original preto one ply
Knobs: Originais
Tarraxas: Originais
Serial Number: --
Fabricação: Made in Japan
Ano: 1975
Fabricante: Maya Guitar Company/Gakky/Tahara



































Link

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Amigo Strateiro: Giannini AE08s



Olá amigos leitores venho compartilhar com vocês na coluna amigo strateiro a mais recente aquisição do amigo Fernando Temporão, bem como expor sua satisfação e dividir sua experiência com o instrumento. Eu costumo fazer apenas uma vez por mês essa coluna, mas como expliquei anteriormente, eu abri uma exceção com vocês para o mês de Agosto, onde vários amigos poderão postar. 

Conforme mencionei nas outras vezes, outras pessoas também podem usar esse espaço para compartilhar informações e experiências com seus instrumentos, nada mais legal do que somar vivências. Quer que sua Stratocaster seja postada no blog? Entre em contato conosco. A única regra é: o instrumento precisa "ser strato" e o amigo precisa "ter a strato". 



Nome: Fernando Temporão
Cidade: Rio de Janeiro (RJ)
Proprietário: Giannini Strato AE08s
Serial Number: --


Especificações do modelo:

Nome: Giannini
Modelo: Stratocaster
Série: AE08s
Madeira do corpo: Pau-Ferro e Marfim (com filetes centrais e laterais de Jacarandá)
Madeira do braço: Marfim (sendo uma das peças com aspect ‘flamed’)
Número de casas: 21
Madeira da escala:  Jacarandá
Chave seletora: 3 chaves
Configuração dos captadores: SSS
Captadores: MightyMite (made in USA)
Ponte: Tipo Strato – 6 parafusos
Controle: 1 Volume e 2 Tones (meio e braço / cap da ponte não tem controle de tone)
Cores: Natural
Escudo: Original preto one ply
Knobs: Originais
Tarraxas: Originais
Serial Number: --
Fabricação: Made in Brazil 
Ano: 1984
Fabricante: Giannini



Conte um pouco da sua história com o instrumento: onde, como e quando comprou.

O desejo de ter uma AE08s era antigo. Por ser músico e na medida do possível utilizar todos os instrumentos que tenho, sou um colecionador que filtra bastante os instrumentos nacionais que compra. Por isso, eu sempre tive interesse pelos modelos superiores, mais bem acabados e com melhores madeiras e hardware feitos pela Giannini. Isso me levou a comprar basicamente baixos e guitarras feitos nos anos 60 e 70, justamente pela utilização de melhores materiais. Essa guitarra é, no entanto, uma exceção, pois foi feita nos anos 80, época em que a Giannini passou a fabricar péssimos instrumentos, de qualidade constrangedora, e essa linha “exportação – Professional Line” fugiu totalmente à regra, confeccionando belos e bem construídos baixos e guitarras. Minha caça à essa guitarra se consumou numa barbada na OLX. Ela apareceu na minha frente por 450 reais, incrivelmente bem cuidada, toda original e funcional. Pelo instrumento que é e pela raridade, acho que eu não comprei, eu ganhei essa guitarra.





Para você, o que representa ter uma Giannini AE08s?

Representa ter algo bastante incomum: uma guitarra nacional, rara, de qualidade indiscutível e de beleza quase única no Brasil. Significa ter em mãos uma parte bonita da nossa história na feitura de instrumentos de corda. É um prazer e um orgulho ter achado essa guitarra.


Como você definiria o som desse instrumento?

Gostei muito do som. Os captadores cerâmicos costumam ter um som bem gordo e aveludado, sem brilho, mas achei esses captadores da MightyMite muito bons, com bastante brilho e nitidez, tanto na ponte quanto no braço e no meio. Eles têm aquela saída bem alta, isso é bacana também porque qualquer variação de volume no amp já empurra muito o som, cria novos timbres. Achei o som dessa guitarra acima das minhas expectativas, e acho que o fato de ser uma guitarra de corpo e braço inteiriços, ajuda muito na qualidade do som e do timbre.





Qual o principal ponto forte dessa guitarra?

Em primeiro lugar a beleza. Como beleza não põe mesa, eu diria que a qualidade das madeiras, das peças e da construção são um ponto forte. Ela certamente teria um som melhor com captadores mais caros, mas o som de fábrica é muito bom. Acho que o ponto forte, resumindo, é esse: Ser uma boa guitarra com todos os seus items de fábrica, sem precisar de upgrades.

Qual o principal ponto fraco dessa guitarra?

Acho que o ponto fraco é a Giannini ter feito o buraco no corpo pra instalar uma ponte de strato com tremolo, perdendo a condição de 100% inteiriça. O projeto original tem uma ponte sem alavanca, aparafusada no corpo, evitando esse buraco.




Pretende fazer algum upgrade ou alguma modificação na guitarra?

A princípio não, gosto de manter a originalidade dos instrumentos dentro do possível. Essa guitarra já é muito boa de fábrica, a única modificação que eu acho que pode ser necessária é a troca das tarraxas caso a guitarra se torne um instrumento usual de trabalho no palco, pra segurar a afinação por um bom tempo. Mas não acho que isso acontecerá.





O que você diria às pessoas que não conhecem o modelo ou que sempre duvidaram da proposta da Gianinni em relação a qualidade e reputação desses modelos brasileiros?


Eu diria que essas pessoas têm razão em, de uma forma geral, acreditar que a Giannini faz  e fez, na soma dos anos, instrumentos medianos, medíocres. Mas diria também que, nesse panorama histórico, a Giannini fabricou instrumentos fantásticos e históricos. Então embora a generalização seja compreensível, vale garimpar e correr atrás das boas coisas que a Giannini produziu, porque são instrumentos que valem cada centavo justamente por serem muito bons e muito mais baratos que similares estrangeiros.




Fernando Temporão