sábado, 24 de janeiro de 2015

Raridade do mês: Guitarras El Maya Stratocaster (Parte II)


Fala galera, entrando na onda das guitarras Maya, surge a necessidade de apresentação da sua co-irmã "El Maya", dessa forma, a coluna criada para apresentar apenas uma raridade por mês e destacada pela apresentação da guitarra Maya em Janeiro, será dupla. Isso mesmo, dupla em razão de ter encontrado a história das guitarras "El Maya" e de toda a singularidade e proximidade que envolve as duas guitarras japonesas. Sendo assim, me permito a fazer um post "duplo" apresentando todas as curiosidades, semelhanças, diferenças e de todas as informações que obtive pesquisando sobre as "El Maya". No início havia aquela confusão de que ambas eram farinha do mesmo saco, ou seja, dos mesmos criadores, mesmas madeiras e mesma construção, embora ainda houvesse alguma dúvida sobre tudo isso. 


Especificações:

Nome: El Maya
Modelo: Stratocaster
Série: SCO - 360N
Madeira do corpo: Sen (Japanese Ash)
Madeira do braço: Maple
Escala: Rosewood
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 21
Headstock: Small Head
Neck Plate: Standard 4 furos
Configuração dos captadores: S/S/S 
Captadores: Alnico
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Volume - 2 Tone 
Cores: Natural
Ponte: Vintage Style - 6 parafusos
Tarrachas: Originais
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs brancos
Fabricação: Made in Japan
Ano: 1977/1979
Fabricante: Maya Guitar Company/Gakky/Tahara
Distribuidora: Rokkoman
Período de Fabricação: 1977/1979

Preço/Price: 550/600 USD

Raridade do mês de janeiro: 















Adaptado de:

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Um pouco de história: Guitarras Maya e El Maya (Parte II)


Dando continuidade nessa sequência animadora e intrigante da história das guitarras japonesas, o mês de Janeiro foi escolhido para abordar o tema das guitarras "Maya" e "El Maya" na coluna "Raridades", sendo que continuei em minha busca para descobrir mais sobre esses instrumentos, e algumas coisas tinham ficado pendentes na primeira parte da postagem. Quem deveria de fato receber os créditos para o emblema da guitarra Maya? Qual a diferença entre os emblemas da guitarra "Maya" e da "El Maya"? Será que foram produzidas pelas fabricantes ou cada uma se responsabilizou por uma delas? 

Sabemos que a Rokkomman era a distribuidora desses instrumentos para o ocidente, a princípio não era produtora. Coube a três empresas, segundo citação encontrada na internet de construir essas guitarras: Tahara, Chushin Gakky e Maya Guitar Company. Acabei garimpando a informação em um site gringo onde afirma que a empresa Maya Guitar Company foi totalmente destruída em um terremoto em meados dos anos 90, mais especificadamente em 1995: "The Plant was destroyed during the 1995 Kobe Earthquake".



Outra descoberta importante diz respeito ao nome "Maya", sendo esse derivado de "Mount Maya" uma montanha bem conhecida e admirada pelos japoneses perto de Kobe, no Japão. A usina da empresa que foi utilizada para fazer as guitarras Maya estava situada em Kobe, no Japão. Eles fizeram cópias de guitarras Gibson e Fender durante meados dos anos 70 e 80. A usina foi então totalmente destruída durante o terremoto de Kobe, no ano de 1995. Também encontrei a informação de que as MIJ (Made in Japan) guitarras Maya não estão mais em produção e apenas algumas guitarras Mayas escaparam ou sobreviveram do histórico e trágico terremoto.  ("MIJ Maya Guitars is no longer in production and only a few Maya Guitars escaped the historic, devastating earthquake"). 

Rokkomann, como dito anteriormente, era um distribuidor, mas há um exemplo de uma guitarra feita no período da década de 1970 com o nome de "Rokkomann" nela. Isso faz pensar que poderiam fazer para si mesmos como uma "marca" ou então eles mergulharam em produção real durante a "mania" de produzir guitarra elétrica em 1970. A Rokkomann comprou claramente a marca Maya, em janeiro de 1976. Não se sabe se eles tinham o nome de marca registrada antes dessa data, pois as guitarras Maya eram claramente existentes antes de 1976.


A Tahara, de acordo com a Saga Instrumentos Musicais, empresa que comprou a Tahara, produziu bandolins e violões na década de 1970 com o emblema "Maya", ou seja, nenhuma guitarra "El Maya", de acordo com fontes da própria Saga, embora eles sejam muitas vezes creditados com produtores de ambos os emblemas. A fábrica da Tahara foi localizada em Matsumoto, Japão, mas Kobe não, o que é interessante, e Saga não comprou eles até meados da década de 1970.



Sobre a Maya instrumentos musicais, não se encontra nenhuma evidência para a fundação desta empresa, embora seja universalmente afirmado que a empresa foi localizada em Kobe (como foi Rokkomann) e foi destruída por um terremoto em 1995/96. Sugere-se que a empresa retirou o seu nome do Monte Maya que fica perto da cidade de Kobe, no Japão. Sabemos que a empresa existia porque temos tais inscrições nos rótulos das guitarras "Maya" e "El Maya" com seu nome.


Sobre a fábrica de Chushin Gakky, se sabe que Chushin foi responsável por algumas guitarras de logo "El Maya" feitas na década de 1970, por causa da alta qualidade que elas apresentam. As guitarras El Maya também foram feitas bem depois de 1980 e ainda são apreciadas pelos colecionadores, embora não fossem vendidas em larga escala ou com grandes procuras quando elas estavam disponíveis para vendas. A fábrica de Chushin foi muitas vezes utilizada por marcas de grande renome, como Charvel e Jackson, por isso é razoável supor que Rokkomann iria selecioná-los para produzir esses dois emblemas para o mercado mundial. A Chushin ainda existe para que possamos ser capazes de obter uma resposta de alguém a respeito de quando eles fizeram esses emblemas em sua fábrica. Há evidências que Chushin pode ter sido um membro da "Associação Matsumoto Instrumentos Musicais", que foi onde Tahara foi localizado, por isso, talvez Maya e El Maya fossem produtos dessa associação, mas isso é apenas uma hipótese até agora.



Continuando as informações sobre as "El Maya", foram construídas no final dos anos 70 e início dos anos 80. A guitarra El Maya, assim como sua irmã Maya, foi distribuída pela Rokkoman. Eles usavam a marca El Maya para o mercado interno japonês doméstico em sua maioria, mas também foi possível encontrar vendas do modelo para o mercado externo. Sabe-se que o modelo "Maya" era exportada para o mercado externo (ocidente).  






A guitarra "El Maya" teve pelo menos três classificações para a réplica das Stratocaster: Junior, Artist, e Antique. Eu ainda não descobri ainda o motivo dessas três séries existirem, mas obviamente é porque apresentam características diferentes, caso contrário, não necessitariam de três classificações diferentes.




No entanto, tenho observado os três tipos da série em questão. Provavelmente, a série Junior é representada pelo modelo de custo baixo, uma série econômica. A série Artista deve estar na faixa intermediária, enquanto se supõem que a série Antique é o modelo top de linha da "El Maya". Acho que essas especificações diferem a partir do material do corpo, hardware e todas as peças que fazem parte da guitarra. Tendo como informação que as EL Maya guitarras elétricas foram feitas pela Chushin Gakki, é possível afirmar que essas guitarras são irmãs das Mayas, Argus, Grover Jackson e etc ...

Adaptado de:


http://talk.philmusic.com/index.php?topic=227470.0


http://torchsvintageguitarresearchblog.blogspot.com.br/2011/09/mayael-maya-guitar-originsrokkomann.html

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Um pouco de história: Guitarras Maya e El Maya (Parte I)



Aos strateiros de plantão, o mês de Janeiro foi escolhido para abordar o tema das guitarras Maya na coluna "Raridades", sendo que estou me empenhando em descobrir mais sobre esses instrumentos. Não existe muita informação concreta na internet, apenas dados que não se encaixam e fotografias e mais fotografias das mais lindas guitarras produzidas no Japão nos anos 70. Todas postagens com o título ou menção honrosa de "raridade", pois bem, trago aqui um pouco das primeiras descobertas acerca da história desses instrumentos que foram réplicas japonesas consideradas de primeira linha, pertencem a mesma safra das Greco e Tokai, embora acredito que um pouco inferiores à construção se comparadas a essas duas, que se destacaram pela lealdade de detalhes e fidedignidade de características das guitarras Fender Stratocaster americanas.

As guitarras Maya foram fabricadas no Japão em meados da década de 1970. Pesquisando pela internet, eu havia deduzido que "Chushin Gakki" e "Maya Guitar Company" fossem os fabricantes responsáveis pela produção da marca. Mas outras descobertas ampliaram minhas dúvidas e tornaram as coisas mais complicadas do que parecem. Recentemente eu descobri uma terceira hipótese que pode entrar na lista das empresas responsáveis pela produção das guitarras Maya: o nome Tahara.

Fico me questionando como é possível que existam três fabricantes que têm sido citados e nomeados como sendo os produtores e responsáveis pela marca/nome Maya: Chushin Gakki, que pode ter produzido algumas unidades dessas guitarras Maya, a Maya Guitar Company que existia em Kobe, no Japão, e, finalmente, a empresa Tahara, que acabou sendo vendida para a Saga Instrumentos Musicais. A fabricante Saga publicou um texto declarando que a Tahara produziu, de fato, guitarras Maya durante a década de 1970.


É sabido que Chushin Gakki muitas vezes fez trabalhos para outros grandes fabricantes na década de 1970, geralmente aqueles com contratos de empresas americanas como por exemplo, a própria Charvel. Sabemos também que algumas guitarras Maya foram feitas por esta mesma empresa, porque elas foram enviadas para países estrangeiros, incluindo a América, onde foram vendidas por muitos anos. Outra descoberta que eu não sabia, é que estas guitarras "Maya" são cópias do famoso emblema "El Maya".

Então surge o problema entre a Tahara e a Maya Guitar Company (também conhecida como Maya Instrumentos Musicais). A fabricante Tahara não existiu por muito tempo, acredito que tenha sobrevivido por menos de uma década. A guitarra Maya pode ter sido algum tipo de esforço ou associação de colaboração, em que várias empresas trabalharam juntas em um projeto. Não sei ao certo (preciso descobrir), qual o período certo de cada empresa na construção desses instrumentos, é de se supor que cada uma tenha atuado em algum período específico, discordando da hipótese teórica de associação ou esforço em conjunto onde várias empresas trabalharam juntas ou ao mesmo tempo em um mesmo projeto. Se sabe apenas ao certo, que a Maya também existiu por um período relativamente curto de tempo. Então, quem deveria de fato receber os créditos para o emblema da guitarra Maya? 


O caso da fabricante Tahara ter sido citada como responsável direta parece muito mais substancial na luz da evidência fornecida pela empresa que passou a existir depois do fim da própria Tahara. Pesquisando na internet, eu já vi algumas pessoas se questionando a esse fato, cogitando que talvez a Maya existiu como uma empresa e supondo que eles tivessem como colaborador tanto Chushin Gakki como a própria Tahara. 


O certo é que esse dilema mais cedo ou mais tarde irá se desmanchar, hoje em dia as informações são descobertas e enviadas com muita rapidez pela internet. Continuamos a procura de respostas, mas ainda falta uma peça do quebra cabeças. Ainda não consegui entender qual a diferença entre os emblemas da guitarra "Maya" e da "El Maya"? Será que foram produzidas pelas fabricantes ou cada uma se responsabilizou por uma delas? 

Algumas fontes que encontrei dizem que as guitarras Maya eram para exportação, enquanto que as guitarras El Maya foram produzidas para o mercado interno. Houve a informação que a empresa Maya foi destruída por um terremoto na década de 1990, mas essa informação vai ser impossível de confirmar em blogs ou sites ocidentais. Descobrir todos esses mistérios que rondam os instrumentos Maya ou El Maya é algo que eu vou estar procurando para ao longo dos próximos dias. Se eu descobrir tudo ou encontrar alguém que sabe a resposta, eu vou compartilhar com vocês aqui. (Essa postagem continua na parte II)

Foi muito difícil encontrar algum artista que use esses instrumentos, mas com um pouco de sorte achei esse cara: Rico Blanco´s.





Guitarrista Rico Blanco´s usando uma legítima Stratocaster Maya



Adaptado de:


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Amigo strateiro: Fernandes Stratocaster


Olá amigos, mais uma vez trago uma novidade para as postagens do ano de 2015. Á partir de agora, todo mês irei convidar algum amigo adepto ao costume de ser strateiro nas horas vagas para postar as imagens e ter a oportunidade de comentar sobre seu instrumento, não preciso nem dizer que a única regra para participar da coluna "Amigo Strateiro" é que seu instrumento precisa "ser" strato e o amigo também precisa "ter" a strato. Nada de "toquei na casa de um amigo e achei bom ou ruim o instrumento". Acho justo que outras pessoas possam usar esse espaço para compartilhar informações e experiências com seus instrumentos, nada mais legal do que somar vivências. Quer que sua Stratocaster seja postada no blog? Entre em contato conosco. 

Para abrir esse espaço, convido para o mês de Janeiro o amigo Gabriel Longhitano, proprietário de uma honrosa Fernandes Stratocaster.

Nome: Gabriel Augusto Longhitano
Idade: 
Cidade: São Paulo/SP
Proprietário: Fernandes Stratocaster
Serial Number: 037231


Conte um pouco da sua história com o instrumento: sobre o interesse, onde, como e quando comprou?


No início de 2014 estava procurando uma guitarra semi-acústica ou acústica (hollow / semi-hollow body) para comprar. Como moro em São Paulo, o local para se procurar instrumentos é a histórica Rua Teodoro Sampaio. Pois para lá fui e rodei, loja por loja, atrás de uma guitarra que atendesse às minhas expectativas auditivas. Depois de experimentar TODAS as guitarras das lojas que passei, estava incomodado, pois as guitarras eram legais, bonitas, soavam bem, mas...cadê aquele “algo mais” que buscamos nos instrumentos? Já bastante frustrado, parei para conversar com um amigo lojista da própria Teodoro, o Fabio Grunig da G2 Instrumentos Musicais. Conversando sobre a minha decepção, ele pegou uma escadinha e retirou uma guitarra pendurada lá de cima da parede de instrumentos e me entregou uma guitarra acústica usada da marca Hurricane. Sem conhecer a marca e sem preconceitos, fui de coração e ouvidos abertos para testar a guitarra. Pois bem, inacreditavelmente foi lá que encontrei o “algo mais” que procurava numa guitarra. Maravilhado com ela, perguntei sobre a marca: “japonesa, cara. Provavelmente fabricada em fim de 80 ou início de 90” – foi a resposta do Fabio, complementando: “essas de agora, que você experimentou, são todas ‘made in China’”.



Pois é, assim surgiu meu interesse em garimpar e colecionar guitarras. Ou seja, procurar e experimentar guitarras de diferentes marcas, formas de construção, locais de procedência, etc. Também foi assim que comecei a me interessar muito por guitarras brasileiras anteriores a década de 90. Mas isso fica para uma outra ocasião...


Em um belo dia de garimpo pela internet, encontrei um anúncio na OLX de uma stratocaster Fernandes da década de 90 por um preço bem bacana, mas localizada na cidade de Sertãozinho, bem longe de São Paulo. A primeira pergunta que fazemos nessas situações é: será que é original? E a resposta sempre é: só vendo pessoalmente para saber. Ou seja, comprar um instrumento sem ter a certeza do que seja é totalmente inviável, um “tiro no pé”, como dizemos por aqui.


Coincidentemente, no final do ano (2014) fui para minha terra natal, Taquaritinga - SP. E adivinha qual cidade é vizinha? Sertãozinho. Fui dar uma checada novamente na internet, e lá estava ela. Combinei com o rapaz – Ricardo, se não me engano - que estava vendendo a guitarra e assim pude experimentá-la pessoalmente. Bom, se ela está comigo agora nem preciso dizer que achei a guitarra incrível.


Para você, o que representa ter uma Fernandes Stratocaster?


Creio que para cada colecionador deve haver um motivo principal para o acúmulo de objetos. No caso dos instrumentos poderiam ser: aparência, valor histórico, sonoridade, etc. 

No meu caso, coleciono pela sonoridade e pelo valor histórico. Acho que ter uma Fernandes é justamente isso. Tenho uma guitarra com um timbre excelente, comparável a Fender americana, e com um valor histórico muito significativo para a história das stratocasters.



Para quem não sabe a Fernandes, marca japonesa, assim como todas outras marcas copiavam as primeiras gerações de guitarras, as marcas ícones: Fender e Gibson, basicamente. No caso da Gibson, a Fernandes utiliza o nome da marca como Burny. O que é importante ressaltar é que algumas marcas realmente conseguiram montar réplicas muito próximas às originais. É o caso da Fernandes. Sem contar que a qualidade japonesa de décadas passadas na construção de instrumentos é lendária! Quem nunca ouviu falar de alguma dessas marcas: Greco, Tokai, Hondo, Hurricane, ou mesmo a própria Fender fabricada no Japão.

Enfim, acho que ter uma Fernandes representa tudo isso.


Como você definiria o som desse instrumento e o que acha da sua construção?


O timbre da guitarra é simplesmente o típico timbre de stratocaster. Aquele ”quack” que adoramos! Comparo esta guitarra ao timbre de uma Fender americana atual, com uma pitada vintage.

Suas madeiras são as mesmas das Fenders, também de ótima qualidade, e contando que as madeiras, em tese, estão mais secas. O braço é em maple, a escala em rosewood e o corpo em alder – este último, não tenho certeza, mas pelo peso e timbre, acredito ser.

A qualidade de construção e acabamento são excelentes. Particularmente gosto muito dessa combinação de cores preto e branca nas stratos. O hardware é todo original. Tarraxas Gotoh. Somente o trêmolo que ainda não utilizei por estar sem a alavanca.



Os trastes estão um pouco gastos, mas compreensível devido a idade da guitarra. Nada que uma boa retífica não dê conta. Mesmo assim a guitarra não apresenta nenhum problema de afinação ou trastejamento.

Nas fotos vocês podem reparar que o headstock é diferente das Fender. Isso porque, como várias marcas, a Fernandes não pode mais copiar o headstock da Fender. Gostei do head, apesar de preferir o original. Mas gosto é gosto.

Quem sabe um dia não apareça para mim uma Fernandes da época em que os headstocks ainda eram idênticos aos da Fender?


Qual o principal ponto forte da guitarra?


O ponto forte desta guitarra seria o custo-benefício.  Hoje encontramos guitarras como essa a preços inferiores aos da Fender ‘made in Mexico’. Porém acredito que uma Fernandes deste período seja muito melhor de timbre, construção e acabamento que as mexicanas . Nem preciso falar com relação aos ‘made in China’ da vida, né! Lembrem-se: isso é uma questão pessoal.

Acredito que todo músico, sem o fetiche de marcas na cabeça, que tenha experimentado uma Fernandes deste período ou anterior a ele, tenha se surpreendido com tamanha qualidade.


Qual o principal ponto fraco da guitarra?


De forma geral, esta guitarra é bastante equilibrada. Ainda mais se eu levar em consideração o valor que estamos pagando das grandes marcas aqui no Brasil. Guitarras como esta, pelo valor que encontramos, vale cada centavo!

Talvez um ponto fraco seja a captação. Mas isso varia muito conforme o timbre e o gênero que cada guitarrista procura. Particularmente prefiro sempre manter o instrumento como originalmente fabricado, devido questão do valor histórico que têm para mim, comentado anteriormente.


Pretende fazer algum upgrade na guitarra?


Não tenho pretensão alguma de “melhorar” esta guitarra. Acho ela excelente assim como foi concebida...ou melhor, copiada. Sejamos francos.


Como dito anteriormente, sempre opto pela originalidade do instrumento. Até porque, valorizo muito quem, nos dias atuais, consegue trazer novos timbres aos nossos ouvidos e não soar como aquele outro guitarrista famoso.

 No meu caso, um colecionador, uma das coisas mais legais no acúmulo de instrumentos é justamente ter uma variedade de timbres, mesmo que seja para um mesmo modelo de guitarra. E cá entre nós, amigos strateiros, a stratocaster é o modelo mais divertido para isso. Não?

Obviamente se eu tivesse somente uma guitarra, aí sim poderia pensar em algum ‘upgrade’ conforme os estilos musicais que gostaria de tocar.


O que você diria as pessoas que não conhecem a marca, e que nunca ouviram falar sobre a Fernandes?


Pesquisem!!! Não existem só marcas que a gente vê nas propagandas. Há muita marca e muita gente - luthiers, por exemplo – que fazem guitarras de excelente qualidade. Quem manda na escolha de uma guitarra não é marca, é seu corpo. Se você gosta do som, se ela se encaixa à sua ‘pegada’...
Enfim, se a gente aprender a dar valor no que realmente merece, iremos abrir um mercado mais justo e competitivo, o que levará a construção de guitarras cada vez melhores de qualidade e preços. Caso contrário, o mercado fica nas mãos de poucos. Nas mãos de poucos, o mercado fica à mercê destes.

É isso galera! Obrigado por lerem minhas palavras e minha tentativa de trocar um pouco a experiência que tenho no mundo musical.

Obrigado especial ao William pelo convite.

Para quem quiser continuar ‘trocando figurinhas’, fico à disposição. Meus contatos estão na minha página pessoal: 

http://gabriellonghitano.wix.com/01

um abraço a todos!


Gabriel Augusto Longhitano


Especificações técnicas:

Nome: Fernandes
Modelo: Stratocaster
Série: ?
Madeira do corpo: Alder
Madeira do braço: Maple
Escala: Rosewood
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 21
Headstock: Small Head
Neck Plate: Standard 4 furos
Configuração dos captadores: S/S/S 
Captadores: Alnico
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Volume - 2 Tone 
Cores: Black
Ponte: Vintage Style - 6 parafusos
Tarrachas: Gotoh Originais
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs brancos/aged white
Fabricação: Made in Japan
Ano: 199?
Fabricante: 
Período de Fabricação: 1990/1999

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um pouco de história: Guitarras Greco


O que nos referimos como a guitarra clássica japonesa Greco foi produzido entre os anos 1971 e 1982. É claro que muitos fabricantes de guitarras japonesas estavam produzindo guitarras de seu próprio projeto antes deste período. Muitos foram influenciados pelos projetos da Gibson, Fender, Mosrite, Burns, Vox etc., mas estes não eram verdadeiras réplicas. As primeiras verdadeiras réplicas foram feitas pela GRECO produzido por Kanda Shokai Corporation. Kanda Shokai foi estabelecida como uma empresa distribuidora do comércio de instrumentos musicais em 1948. A marca GRECO foi introduzido pela primeira vez por Kanda Shokai em 1960. No início, GRECO fabricava guitarras de seu próprio projeto. O projeto tinha muitas semelhanças com guitarras americanas, mas eles foram em grande parte inovações.

Em 1966, a turnê dos Beatles no Japão teria influenciado diretamente o projeito GRECO. GRECO introduziu um novo corpo sólido influenciado pelo shape da Fender Telecaster e um tipo de guitarra base de violino da Hofner. Em 1969, a banda de rock britânica Led Zeppelin lançou dois álbuns memoráveis (Led Zeppelin I e II). Seu guitarrista Jimmy Page, que ficou famoso com uma guitarra Gibson Les Paul Standard, com um acabamento sunburst. De repente, a geração mais jovem japonesa estava clamando por guitarras Gibson Les Paul Customs, SG, Fender Stratocasters, Telecasters e outros.

Em 1970, o salário inicial médio mensal de um graduado da faculdade era de 43.000 ienes (JYE). Com a taxa de câmbio sendo cerca de 360 yens japonês para 1 dólar na época; este salário inicial era de cerca de 120,00 dólares americanos. O preço de uma nova Stratocaster foi para 239.000 JYE; mais de US $ 660,00 dólares. Era uma geração determinada que economizou mais de cinco meses de salário para comprar sua guitarra ideal.


Em 1971, Led Zeppelin, Pink Floyd, Grand Funk Railroad e outras bandas famosas fizeram turnê no Japão. Isso alimentou ainda mais a geração mais jovem para comprar sua guitarra e tocar rock'n roll como seu herói fez e isso não escapou a atenção da GRECO.

Devido ao alto preço das guitarras Gibson no Japão, apenas alguns músicos de jazz tiveram esses instrumentos e a GRECO não tinha um na mão. A GRECO queria introduzir uma réplica Les Paul Standard (sua série EG) e produziram desenhos em escala a partir de fotos do catálogo da Gibson e de outros músicos. A série original EG-360 foi bem diferente da Les Paul, devido a particularidades como a escala do braço sendo calculadas a partir do catálogo da Gibson e completamente diferentes da construção do corpo, mas ainda estava perto o suficiente para ser o primeiro capítulo da história "guitarra de ação judicial".

Como mencionado, Kanda Shokai estava envolvido principalmente na comercialização e distribuição e foram utilizados dois sub-empreiteiros principais para a produção real. Estes foram Matsumoku Gakki nos primeiros anos e Fujigen Gakki 1974-75 até o presente. É por isso que GRECO e IBANEZ são consideradas guitarras irmãs no Japão.

Durante o início dos anos 70, a GRECO ofereceu ao Mr. Hidesato Shiino (formalmente trabalhou para Yamaha) a função de desenvolver a produção da guitarra e o marketing como um consultor. Nos primeiros dias, o Sr. Shiino estava no comando da maioria dos fabricantes de guitarras, não apenas da Greco. Ele consultou ELK, Guyatone, Fernandes, Kasuga e outros, entrou em contato com seu velho amigo Sr. Shigeru Narumo (1947-2007 Mr. Narumo é neto do fundador da Bridgestone Tire) um guitarrista japonês muito popular. Mr. Narumo começou a supervisionar o desenvolvimento da guitarra GRECO com Mr. Shiino. Eles aconselharam a GRECO a desenvolver uma guitarra melhor do que a Les Paul, a um preço mais acessível. Mr. Shiino conduziu a fábrica e fez uma guitarra protótipo para o Sr. Narumo com as suas especificações exigidas em apenas alguns dias e ele ficou muito surpreso com a novo  EG. Ele tinha propôs a membros de sua banda que tocassem em uma Gibson, uma Fender e esta nova EG com os olhos vendados e todos eles concordaram que a EG foi a melhor dos três.
Narumo tocou este novo instrumento EG-360 no palco alternando com uma Gibson. O público ficou surpreso ao ver e ouvir um instrumento japonês que era tão bom (se não melhor) do que o original.

A única queixa de Narumo foi com a cor de acabamento que a GRECO tinha copiado de uma foto de Paul Kossoff (da banda de rock Free) fornecido pela Narumo. Kossoff estava tocando um No. 2, que foi concluída com sunburst marrom mas a GRECO não poderia determinar a cor da parte de trás de modo que apenas forneceu o sunburst nas costas e no braço.

O envolvimento e performances de Narumo fornecia a GRECO um aumento enorme de vendas. Tanto é, assim que a GRECO convidou ao Narumo para endossar a GRECO exclusivamente, embora relutante, Narumo viu possibilidades na obtenção de suas guitarras e um sonho realizado. Em uma visita à fábrica da Fujigen, Narumo sugeriu abrir o captador humbucking traseiro e para contornar a parte traseira muito parecida com a Stratocaster. A guitarra resultante foi o EG-420 e foi muito superior ao EG-360. 

GRECO e Narumo colaboraram em muitos modelos seguintes ao EG-420 e este fase tornou-se a idade de ouro da GRECO de réplicas e clones de guitarras. Isso culminou com a EG-800, que foi em grande parte influenciada pela Narumo. Ele tinha os captadores abertos e com contornos do 420 com madeiras de qualidade superior. A EG-420 era um corpo semi-oca de 6p mogno sanduíche. A nova EG-800 tinha uma placa de ébano, um sólido 2p superior e um braço estreito. 

Oficialmente, Narumo disse que ele não sabia nada sobre a EG-800. Ele mencionou que estava no comando através do protótipo da EG-700 e só ouviu falar sobre as EG-800 vários anos depois. Apesar da postura de Narumo, a EG-800 é chamada de "Narumo Model" por colecionadores. Como uma nota lateral, a EG-650 também tem sido chamada de Modelo Narumo. Era uma construção semi-oca com características sugeridos por Narumo.

Assim, a Greco começou a fazer muitas réplicas de Gibson em meados da década de 70. A razão é muito simples. Kanda-Shokai era um importador de Gibson dos EUA naquela época. Kanda Shokai pediu a Fujigen para fazer muitas réplicas da Gibson. A Fujigen começou a exportar essas guitarras Ibanez como marca para os EUA Bem, essas guitarras tornaram-se as "guitarras de ação judicial".


Kanda começou as guitarras custom made em torno de 1972. O guitarrista, Mick Ralphs de Bad Company, visitou a sala de customização das guitarras de Kanda, então, orientou o mesmo sobre suas guitarras. Esta guitarra tornou-se "MR" séries. Kanda começou a "série projeto" depois da guitarra "MR". Ele ofereceu a réplica da guitarra de Brian May, modelo Rickenbacker Paul McCartney e etc ...

No final dos anos 70, muitos guitarristas estrangeiros usavam as guitarras Alembic. Teve a construção dos braços com longo sustais. A quipe de marketing da Greco desenvolveu a "GO guitar séries" que tinha complicadas chaves de controle, em 1978. O mercado aceita estas novas guitarras da série. Kanda começou a produzir os filmes comerciais de TV, também obteve muitos contrato de patrocínio com músicos japoneses. Ele fez boas vendas de série GO. Kanda acrescentou a "GO-II", "GO-III" e a série "Mirage" em boa situação de vendas.

Kanda teria oferecido a série "Super Real" quase ao mesmo tempo. A Les Paul Replica EGF-1000 foi avaliada como melhor do que a original por muitos músicos que a experimentaram. Eles investiram muito pesado para a série "Super Real". Os materiais usados e a madeira são melhores do que os encontrados no original. As partes eletrônicas foram re-projetadas, perto do original Les Paul. Eles desenvolveram o captador humbucker que foram chamados de "secos". A Greco usou este captador para os EGF-1200 e EGF1800 (EGF-850 tinha "PU-2", EGF-1000 tinha "Dimarzio PAF").


Em 1981, Kanda começou a conversar com a Fender (EUA) e Yamano para estabelecer a Fender no Japão. Naturalmente, a GRECO SE-1200 Stratocaster considerada como"Super réplica real" tornou-se a última Greco Stratocaster a ser produzida. A Greco começou a produzir as réplicas de stratocasters em 1973, terminando em nove anos de produção das stratos.

Na década de 80, a Greco teve um tempo difícil. Eles têm como alvo o modelo original. É claro que eles não poderiam mais fazer réplicas de stratos. A Gibson tinha começado a "Orville Gibson". Não mais a Gibson réplica das guitarras Greco.

Agora, a marca Greco ainda existe. Mas, tornou-se na maior parte as guitarras GRECO-Zemaitis (Eles distribuíram guitarras Ornetts antes das réplicas Zemaitis). Kanda tomou a licença de fabricação da marca Zemaitis. Eles estão produzindo Zemaitis pelas guitarras High-End e Greco-Zemaitis pela Tokai.

Em 2012, Kanda Shokai começou a construir as novas guitarras da marca Greco. Estes não são mais como a Gibson, Fender ou outras guitarras consideradas como réplicas. Os projetos ainda são semelhantes com aqueles das grandes marcas. No entanto, eles acrescentaram os novos desenhos e conceitos sobre os novos instrumentos. 

Adaptado de:



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Raridade do mês: Guitarra Maya Stratocaster (Parte I)


Fala galerinha, tudo belezinha? Para apimentar as postagens do Blog, à partir desse ano, iremos trazer a vocês todo o mês uma guitarra stratocaster escolhida e criteriosamente selecionada de um instrumento raro, preferencialmente vintage. Para abrir essa coleção de stratos, nada mais justo do que uma japonesa Maya stratocaster, simplesmente espetacular essa raridade, alguém discorda? A guitarra é uma réplica da Fender americana 70', com construção japonesa e distribuída pela Rokkoman. É difícil mas não impossível ver a venda no Brasil, vi poucas unidades a venda até hoje, embora seja possível de garimpá-las mais facilmente no Ebay. Acredito que seja do mesmo nível das "El Maya" e das "Joodee". 

Especificações:

Nome: Maya
Modelo: Stratocaster
Série: ?
Madeira do corpo: Sen (Japanese Ash)
Madeira do braço: Maple
Escala: Rosewood
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 21
Headstock: Big 70' Head
Neck Plate: Standard 4 furos
Configuração dos captadores: S/S/S 
Captadores: Alnico
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Volume - 2 Tone 
Cores: Natural
Ponte: Vintage Style - 6 parafusos
Tarrachas: Originais
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs brancos
Fabricação: Made in Japan
Ano: 1978
Fabricante: Maya Guitar Company/Gakky/Tahara
Distribuidora: Rokkoman
Período de Fabricação: 1970/1979

Preço/Price: 300/450 USD

Raridade do mês de janeiro: 















Referência no Youtube:




Outro link do Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=Ij13uWVceIc

Links para referência: