Nome: Gabriel
Augusto Longhitano
Idade:
Cidade: São Paulo/SP
Proprietário: Fernandes Stratocaster
Serial Number: 037231
Conte um pouco da sua
história com o instrumento: sobre o interesse, onde, como e quando comprou?
No início de 2014 estava procurando uma
guitarra semi-acústica ou acústica (hollow / semi-hollow body) para comprar.
Como moro em São Paulo, o local para se procurar instrumentos é a histórica Rua
Teodoro Sampaio. Pois para lá fui e rodei, loja por loja, atrás de uma guitarra
que atendesse às minhas expectativas auditivas. Depois de experimentar TODAS as
guitarras das lojas que passei, estava incomodado, pois as guitarras eram
legais, bonitas, soavam bem, mas...cadê aquele “algo mais” que buscamos nos
instrumentos? Já bastante frustrado, parei para conversar com um amigo lojista
da própria Teodoro, o Fabio Grunig da G2
Instrumentos Musicais. Conversando sobre a minha decepção, ele pegou uma
escadinha e retirou uma guitarra pendurada lá de cima da parede de instrumentos
e me entregou uma guitarra acústica usada da marca Hurricane. Sem conhecer a marca e sem preconceitos, fui de coração
e ouvidos abertos para testar a guitarra. Pois bem, inacreditavelmente foi lá
que encontrei o “algo mais” que procurava numa guitarra. Maravilhado com ela,
perguntei sobre a marca: “japonesa, cara. Provavelmente fabricada em fim de 80
ou início de 90” – foi a resposta do Fabio, complementando: “essas de agora,
que você experimentou, são todas ‘made in China’”.
Pois é, assim surgiu meu interesse em garimpar e colecionar guitarras. Ou seja,
procurar e experimentar guitarras de diferentes marcas, formas de construção,
locais de procedência, etc. Também foi assim que comecei a me interessar muito
por guitarras brasileiras anteriores a década de 90. Mas isso fica para uma
outra ocasião...
Em um belo dia de garimpo pela internet, encontrei um anúncio na OLX de uma
stratocaster Fernandes da década de 90 por um preço bem bacana, mas localizada
na cidade de Sertãozinho, bem longe de São Paulo. A primeira pergunta que
fazemos nessas situações é: será que é original? E a resposta sempre é: só
vendo pessoalmente para saber. Ou seja, comprar um instrumento sem ter a
certeza do que seja é totalmente inviável, um “tiro no pé”, como dizemos por
aqui.

Coincidentemente, no final do ano (2014) fui para minha terra natal,
Taquaritinga - SP. E adivinha qual cidade é vizinha? Sertãozinho. Fui dar uma
checada novamente na internet, e lá estava ela. Combinei com o rapaz – Ricardo,
se não me engano - que estava vendendo a guitarra e assim pude experimentá-la
pessoalmente. Bom, se ela está comigo agora nem preciso dizer que achei a
guitarra incrível.
Para você, o que
representa ter uma Fernandes Stratocaster?
Creio que para cada colecionador deve haver um motivo
principal para o acúmulo de objetos. No caso dos instrumentos poderiam ser:
aparência, valor histórico, sonoridade, etc.
No meu caso, coleciono pela sonoridade e pelo valor histórico. Acho que ter uma
Fernandes é justamente isso. Tenho uma guitarra com um timbre excelente,
comparável a Fender americana, e com um valor histórico muito significativo
para a história das stratocasters.
Para quem não sabe a Fernandes, marca japonesa, assim como
todas outras marcas copiavam as primeiras gerações de guitarras, as marcas
ícones: Fender e Gibson, basicamente. No caso da Gibson, a Fernandes utiliza o
nome da marca como Burny. O que é importante ressaltar é que algumas marcas
realmente conseguiram montar réplicas muito próximas às originais. É o caso da
Fernandes. Sem contar que a qualidade japonesa de décadas passadas na
construção de instrumentos é lendária! Quem nunca ouviu falar de alguma dessas
marcas: Greco, Tokai, Hondo, Hurricane, ou mesmo a própria Fender fabricada no
Japão.
Enfim, acho que ter uma Fernandes representa tudo isso.
Como você definiria o
som desse instrumento e o que acha da sua construção?
O timbre da guitarra é simplesmente o típico timbre de
stratocaster. Aquele ”quack” que adoramos! Comparo esta guitarra ao timbre de
uma Fender americana atual, com uma pitada vintage.
Suas madeiras são as mesmas das Fenders, também de ótima qualidade, e contando
que as madeiras, em tese, estão mais secas. O braço é em maple, a escala em rosewood
e o corpo em alder – este último, não
tenho certeza, mas pelo peso e timbre, acredito ser.
A qualidade de construção e acabamento são excelentes. Particularmente gosto
muito dessa combinação de cores preto e branca nas stratos. O hardware é todo
original. Tarraxas Gotoh. Somente o
trêmolo que ainda não utilizei por estar sem a alavanca.
Os trastes estão um pouco gastos, mas compreensível devido a idade da guitarra.
Nada que uma boa retífica não dê conta. Mesmo assim a guitarra não apresenta
nenhum problema de afinação ou trastejamento.
Nas fotos vocês podem reparar que o headstock é diferente
das Fender. Isso porque, como várias marcas, a Fernandes não pode mais copiar o
headstock da Fender. Gostei do head, apesar de preferir o original. Mas gosto é
gosto.
Quem sabe um dia não apareça para mim uma Fernandes da época
em que os headstocks ainda eram idênticos aos da Fender?
Qual o principal
ponto forte da guitarra?
O ponto forte desta guitarra seria o custo-benefício. Hoje encontramos guitarras como essa a preços
inferiores aos da Fender ‘made in Mexico’. Porém acredito que uma Fernandes
deste período seja muito melhor de timbre, construção e acabamento que as
mexicanas . Nem preciso falar com relação aos ‘made in China’ da vida, né!
Lembrem-se: isso é uma questão pessoal.
Acredito que todo músico, sem o fetiche de marcas na cabeça,
que tenha experimentado uma Fernandes deste período ou anterior a ele, tenha se
surpreendido com tamanha qualidade.
Qual o principal
ponto fraco da guitarra?
De forma geral, esta guitarra é bastante equilibrada. Ainda
mais se eu levar em consideração o valor que estamos pagando das grandes marcas
aqui no Brasil. Guitarras como esta, pelo valor que encontramos, vale cada
centavo!
Talvez um ponto fraco seja a captação. Mas isso varia muito conforme o timbre e
o gênero que cada guitarrista procura. Particularmente prefiro sempre manter o
instrumento como originalmente fabricado, devido questão do valor histórico que
têm para mim, comentado anteriormente.
Pretende fazer algum
upgrade na guitarra?
Não tenho pretensão alguma de “melhorar” esta guitarra. Acho
ela excelente assim como foi concebida...ou melhor, copiada. Sejamos francos.
Como dito anteriormente, sempre opto pela originalidade do
instrumento. Até porque, valorizo muito quem, nos dias atuais, consegue trazer
novos timbres aos nossos ouvidos e não soar como aquele outro guitarrista
famoso.
No meu caso, um colecionador, uma das
coisas mais legais no acúmulo de instrumentos é justamente ter uma variedade de
timbres, mesmo que seja para um mesmo modelo de guitarra. E cá entre nós,
amigos strateiros, a stratocaster é o modelo mais divertido para isso. Não?
Obviamente se eu tivesse somente uma guitarra, aí sim poderia pensar em algum ‘upgrade’
conforme os estilos musicais que gostaria de tocar.
O que você diria as
pessoas que não conhecem a marca, e que nunca ouviram falar sobre a Fernandes?
Pesquisem!!! Não existem só marcas que a gente vê nas
propagandas. Há muita marca e muita gente - luthiers, por exemplo – que fazem
guitarras de excelente qualidade. Quem manda na escolha de uma guitarra não é
marca, é seu corpo. Se você gosta do som, se ela se encaixa à sua ‘pegada’...
Enfim, se a gente aprender a dar valor no que realmente merece, iremos abrir um
mercado mais justo e competitivo, o que levará a construção de guitarras cada
vez melhores de qualidade e preços. Caso contrário, o mercado fica nas mãos de
poucos. Nas mãos de poucos, o mercado fica à mercê destes.
É isso galera! Obrigado por lerem minhas palavras e minha tentativa de trocar
um pouco a experiência que tenho no mundo musical.
Obrigado especial ao William pelo convite.
Para quem quiser continuar ‘trocando figurinhas’, fico à disposição. Meus contatos
estão na minha página pessoal:
Especificações técnicas:
Nome: Fernandes
Modelo: Stratocaster
Série: ?
Madeira do corpo: Alder
Madeira do braço: Maple
Escala: Rosewood
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 21
Headstock: Small Head
Neck Plate: Standard 4 furos
Configuração dos captadores: S/S/S
Captadores: Alnico
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Volume - 2 Tone
Cores: Black
Ponte: Vintage Style - 6 parafusos
Tarrachas: Gotoh Originais
Escudo e Knobs: Escudo branco com Knobs brancos/aged white
Fabricação: Made in Japan
Ano: 199?
Fabricante:
Período de Fabricação: 1990/1999