terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Galeria de arte Stratocaster: Tema Ibanez Stratocaster 1974


Olá amigos, venho a compartilhar um pouco mais das novidades que separei para o mês de Janeiro, onde o primeiro mês do ano de 2016 foi escolhido para explorar na nossa ilustre galeria de arte uma sequência de fotos abordando novamente mais uma conhecida guitarra japonesa Ibanez Stratocaster (Já tínhamos postado a Ibanez Roadstar na Galeria de arte Stratocaster do mês de Novembro de 2015), então é a segunda vez que eu posto uma Ibanez no blog e prometo que aparecerão mais, até porque Stratocaster não é só Fender né galera, preciso explorar um pouco de tudo.. tanto das nacionais quanto das internacionais. Como a Roadstar é um modelo Superstrato (nasceu da Stratocaster) e sem dúvidas é considerada como a evolução da Stratocaster, não vejo motivos para não postar aqui uma legítma Ibanez Stratocaster!  Aparentando qualidade dentro da média, esse instrumento é extremamente interessante mas dificilmente de se encontrar em solo brasileiro, acho que a única forma de encontrar seria pelo Ebay, onde provavelmente iremos encontrá-la em bom estado de conservação, original e mas não a preço acessível, graças a desvalorização do Real frente ao Dollar. Exemplar dos anos 70, essa unidade mantém o charme e a beleza das Stratocasters em sua essência e a eficácia dos instrumentos japoneses característicos desse período. Como já foi dito anteriormente aqui, mas sempre vale ressaltar, a Ibanez é uma marca que começou a ser produzida no Japão na planta da FujiGen Gakki, mundialmente conhecida e difundida por grandes músicos no mundo inteiro, embora ainda não exista muito reconhecimento nos Estados Unidos exatamente por ser japonesa, os americanos infelizmente ainda não dão total crédito sobre esses instrumentos pelo fato de não serem construídos em solo americano, o que é uma grande bobagem, pois muitos instrumentos americanos produzidos no mesmo período dos anos 80 não tinham basicamente nada de especiais, apenas preenchiam o mercado com instrumentos baratos sem nenhuma qualidade na construção ou ao que se refere as madeiras e acabamento, sendo superadas facilmente pelos instrumentos japoneses.


Segundo os critérios do anunciante e proprietário do instrumento:

Pertence ao lote das primeiros 2375 unidades em Natural Finish (acabamento natural em verniz). Construído em 1974 na FujiGen Gakki, não se apresenta muito em seu estado original, mas um grande instrumento com grande som também.

Corpo: Ash
Braço: Shape médio C
Escala: Maple (Fretboard)
Trastes e Saddles recém colocados
Captador Humbucker : Maxon Alnico com bobinas individuais
Eletrônicos de alta qualidade
Peso: 3,6 kg

Condição: A mecânica da corda E é um pouco mais frágil do que as outros. No geral, uma condição bastante apresentável.

Som: Muito, muito ressonante e vibrando alegremente. Especialmente nos trastes mais baixos é um contador de uma cativante vitalidade, é claro, juntamente com o timbre típico. O humbucker é grande; na posição tudo ocorre para metal com timbre gordo. Ela tem som limpo e dinâmica para o braço. Muitos tons, quente e bluesy.
















































segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Desenterrando uma lenda: Violão Fender Southern Cross


Olá amigos, é bem verdade que sempre que abordamos o tema "Southern Cross" no blog, logo lembramos das lendárias Stratocasters lançadas no Brasil em meados dos anos 90 pela Fender em parceria com a nossa saudosa Giannini. O problema é que sempre nos esquecemos de mencionar que naquele mesmo período, a Fender também lançou um violão que praticamente é aquela história: "ninguém nunca sabe, ninguém nunca viu". Dificilmente você, caro leitor, irá encontrar algum artigo ou post na internet sobre esse violão, (eu já procurei no Google e não encontrei absolutamente nada concreto) no máximo alguma citação em algum post do Facebook, mas quase sempre sem muitos detalhes ou contendo informações superficiais. Até mesmo se você for procurar imagens do instrumento, o que os caras postavam eram sempre violões controversos, nem sempre batendo as informações com o violão legítimo lançado pela Fender em solo brasileiro. Esse post então, retrata fielmente a primeira postagem escrita e registrada na Internet por alguém sobre esse violão. É claro que, havendo essa oportunidade, não deixaríamos de trazer para vocês e contar um pouquinho dessa história. 

Em meados de 2012 eu conheci através da Internet um cara que dizia gostar de instrumentos brasileiros vintages e que, mais tarde, se tornaria um dos meus melhores amigos. Por morar na época próximo a minha cidade, e por mudanças do destino, Leonardo Soares acabou por se mudar para Pelotas, cidade na qual resido atualmente. Algum tempo depois, e adquirindo instrumentos aos lotes para sua coleção, eis que aparece um lindo violão Fender Southern Cross. Na época o próprio Leonardo comentou comigo da aquisição do instrumento mas a verdade é que não dei muita importância. Estava eu iniciando uma coleção de guitarras Stratocasters e até então os violões não eram de meu interesse. Segundo o Leonardo, o violão veio através do site de compras Mercado Livre em 2013 (mas estava na própria cidade de Pelotas, na casa do antigo dono) e assim o manteve junto a ele até hoje. Passados alguns anos (mais precisamente três anos) tivemos a ideia de quebrar a paralisia de nossas vidas que seguem padrões e rotinas pré estabelecidas e imutáveis com a ideia de juntar alguns amigos e tentar formar uma banda de Hard Rock e Pop Rock, com músicas que vão desde os anos 60 a atualidade. No repertório, existe uma grande variedade de bandas e artistas, que vão desde John Lennon a Metallica, Dire Straits a Bon Jovi. 

Nessa empreitada de tirar músicas, organizar setlist, reunir os amigos e tocar nos ensaios, eis que o Leonardo me aparece com o violão Fender Southern Cross que já havia me apresentado anteriormente em visita à sua casa, mas que naquela ocasião, confesso que não identifiquei imediatamente se tratar dessa peça construída pela Giannini em meados dos anos 90. Para mim, na ocasião, era um simples violão Fender, sendo corrigido pelo próprio de se tratar do raro violão Southern Cross. Eu venho usando esse violão nos ensaios e coube meus mais sinceros elogios ao som do violão, onde me acostumei e me adaptei com seu braço, seu shape e suas formas o mais rapidamente possível. O captador me parece sem muita definição, mais puxado para os agudos, precisando equalizar na mesa ou no amplificador para dar aquela equilibrada, outro ponto fraco são as tarrachas, que são praticamente as mesmas utilizadas nas guitarras. Elas até seguram a afinação entre uma música e outra, mas a falta de precisão fica evidente na hora de afinar o instrumento. Braço confortável, é um violão clássico para acordes, não é um violão para fazer solos. Seu timbre é bem aberto quando tocado desplugado dos amplificadores, mantendo aquele timbre relativamente aveludado que procuramos nos violões. Vamos as informações:

Especificações:


Nome: Fender
Modelo: Folk
Serie: Southern Cross - GWSFLK
Fabricação: Made in Brazil
Ano: 1995
Fabricante: Giannini/Fender
Período de fabricação: 1992 / 1995
Madeira do tampo: Laminado de Sitika
Madeira da faixa e fundo: Laminado de Mogno
Madeira do braço: Mogno

Escala: Pau Ferro
Número de casas: 20Controle: 1 Volume - 1 Tone
Hardware: Captadores Shadow

Tarrachas: Originais cromadas
Largura do braço na pestana: 42mm
Curvatura da escala: 240mm
Comprimento da escala: 648mm

Avaliação do Blog:

Braço: B+
Corpo: B+
Headstock: A-
Tocabilidade: B+
Hardware: C+
Captadores: C+
Construção: B+
Timbre: B+
Acabamento: B+
Madeiras: A-
Histórico: B+


Avaliação de Mercado:

Geralmente anunciado: ?
Valor justo: ?
Barbada: ?











































sábado, 23 de janeiro de 2016

Golden Stratocaster - Made in Brazil 80'/90"


#030

Olá galera, para o exemplar de número 30 apresento minha terceira Golden Stratocaster do final dos anos 80' e início dos 90', conforme afirmei em minhas outras duas publicações desse exemplar, sem dúvidas é a melhor guitarra brasileira desse modelo, ou seja, apresento o "cálice sagrado" ou "santo graal das Stratocasters" já construídas/montadas em solo brasileiro, pois apresenta o conceito mais nobre, puro e elevado de uma Stratocaster. Como dito antes, essa Golden é uma cópia, é como ter o chassi e as madeiras da Fender por migalhas de dinheiro, posso afirmar sem dúvidas que essa Golden pertence a uma safra considerada das melhores stratos já produzidas/montadas no Brasil por qualquer empresa conhecida. Depois do meu primeiro post, muitas pessoas se interessaram em adquirir esse exemplar mas esbarraram na dificuldade de encontrar no mercado, o lance é garimpar e não desistir galera! 

Na segunda postagem sobre as Golden Stratocasters nós ressaltamos a descoberta, através da ajuda do nosso amigo e colaborador Moisés Figueiredo, que as Goldens dessa mesma geração que possuíam o corpo pintado de qualquer cor sólida que não fosse especificadamente a Sunburst, era feita em compensado! O problema é que eu adquiri essa Golden do post em cor sólida e ela não era em compensado, era e Alder e isso ficou muito evidente quando pude desmontar a guitarra. Chegamos a pensar que  apenas as sunbursts eram as únicas em madeira mesmo.. e que o resto se pensava que era de compensado, mas descobrimos que essa regra também não se aplica! O braço parece ser a única coisa que segue um padrão normal entre todas elas (sendo em Alder ou em compensado), uma peça em Maple com escala em Rosewood, não apresentando qualquer anormalidade. Essa guitarra é geralmente anunciada na casa dos R$ 200 ou 300,00 Reais, valor que não considero justo por apresentar madeiras tão nobres, além de possuir construção de alto padrão internacional, seria injusto independente do estado de conservação e originalidade, por esse modelo tão difícil de ser garimpado e colecionável. Essa guitarra daqui a alguns anos vai valer mais, não é possível que as pessoas ainda não tenham se dado por conta. 

Especificações:

Nome: Golden
Modelo: Stratocaster
Série: ?
Madeira do corpo: Alder
Madeira do braço: Maple
Escala: Rosewood
Corpo - Shape: Stratocaster
Número de casas: 22
Headstock: Small Headstock
Neck Plate: Standard 4 furos
Configuração dos captadores: S/S/S
Captadores: Ceramico
Chave seletora: 5 posições
Controle: 1 Volume - 2 Tone
Cores: Red (Vine)
Ponte: Vintage Style - 6 parafusos
Tarrachas: Originais
Escudo e Knobs: Escudo amarelado com Knobs aged white
Fabricação: Made in Brazil
Ano: 1989 - 199? (Final dos anos 80 e início dos anos 90)
Fabricante: Golden
Período de Fabricação: Final dos anos 80 e início dos anos 90

Avaliação do Blog:

Braço: A-
Corpo: A-
Headstock: A-
Tocabilidade: A-
Hardware: D+
Captadores: C+
Construção: A-
Timbre: B+
Acabamento: A++
Madeiras: B+
Histórico: B+

Avaliação de Mercado:

Geralmente anunciado: R$ 300,00
Valor justo: Já está no valor justo (ou injusto, por não darem o devido valor).
Barbada: R$ 300,00 já é uma barbada, acreditem.





Essa foto eu tirei logo após abrir o presente na data do Natal, vejam minha felicidade.. sorriso de orelha a orelha hehe.. Atrás vocês podem conferir parte do meu setup de pedais, que estava prontamente organizado para apresentação natalina da música "Silent Night", devidamente caracterizado de papai Noel (morrendo de calor e suando consideravelmente) para os familiares. 

Esse mico vocês podem acessar no post de Dezembro de 2015 ou clicando diretamente aqui:




Guitarra que ganhei no Natal de 2015 da minha noiva Larissa Venzke, presente escolhido e garimpado a dedo com sucesso, entregue apenas na virada do dia 24 para o dia 25! O vendedor já havia vendido para outra pessoa, que devido minha insistência, aceitou ficar com outro instrumento para então ceder essa Stratocaster aqui para o Sul!




Além disso tivemos outra surpresa, essa veio com direito a dedicatória dentro do corpo, conforme eu tinha pedido: "Que o nosso amor se eternize como nas mais lindas canções. Larissa L.V. 24/12/15". Essa é a segunda guitarra que recebo com dedicatória, a primeira foi do meu amigo Moises Figueiredo com o projeto do protótipo da Zeis que vocês podem conferir aqui no blog, através desse link: http://guitarrasdeumstrateiro.blogspot.com.br/search/label/Zeis




Sobre a construção desse instrumento, não há o que se possa reclamar, contrariando a lógica dos instrumentos brasileiros dos anos 80' e 90' (existem péssimos instrumentos feitos pela Golden no Brasil, que certamente não é o caso desse exemplar, onde comparei lado à lado com minha Fender Stratocaster Made in Mexico e as duas possuem construção semelhantes, mesmo padrão de qualidade) as partes tem bom encaixe no tróculo tornando simples a montagem. Conceito da construção: A- (Excelente).




Nessa foto é possível ver a beleza do acabamento final desse instrumento, a cor é uma das mais bonitas que já vi no modelo, é um vermelho puxado para o bordô, ou vermelho telha como vocês podem preferir. Apesar dos seus quase 30 anos, ainda apresenta o brilho característico do verniz em PU.




Foto enviada até mim pelo vendedor, que agradeço pela confiança de ter segurado e enviado esse instrumento até o estado do Rio Grande do Sul, convencendo o primeiro comprador a desistir da compra e ficar com outra guitarra, para que eu pudesse me agraciar na noite de Natal.




Os captadores em cerâmicos são limitados e não proporcionam aquela definição e equilíbrio que são esperados na estrutura harmônica e timbrística do instrumento, ainda que eu já tenha visto captadores muito piores que esses em questão de cerâmicos, ou seja, eles não são tão ruins assim, embora apresentem baixo ruído quando adicionado Drive em pequenas quantidades, os captadores desse instrumento necessitam de substituição para ressaltar o verdadeiro valor dessa Stratocaster, se realmente se deseja tirar mais dela. Conceito final dos captadores: C+ (Bom)





Se os captadores são de cerâmicos e mesmo limitados parecem quebrar o galho, o mesmo não se pode afirmar do restante do hardware. As tarraxas são muito simples, mantendo aquele padrão básico dos anos 90 das guitarras brasileiras de baixa custos, infelizmente não mantém a afinação durante execução de um solo ou até mesmo durante uma música com simples acordes. Usar a alavanca está fora de cogitação, além de desafinar totalmente a guitarra, a ponte parece frágil e não volta corretamente ao seu ponto se origem (o chamado ponto zero de referência da estabilidade), a ponte definitivamente não apesenta estabilidade. Conceito do hardware: D+ (Regular).




Na foto é possível ver o formato do headstock que segue os padrões utilizados nas Fender Stratocaster pré CBS (algumas possuem a exceção de apresentar o ajuste do tensor no headstock, ao invés de estar no tróculo como nas Fender 50' e 60'), no estilo "Small headstock", possui bom recorte (pelo visto, a Golden tinha um ótimo gabarito e era possível fazer uma réplica perfeita, motivo pelo qual a Fender veio a processar a empresa) e ótimo acabamento final em verniz PU, recebendo o conceito final de A- (Ótimo). 




Em relação ao acabamento final, o instrumento tem excelente pintura, particularmente sempre fui fã dessas tonalidades avermelhadas, semelhantes as tonalidades encontradas nas guitarras de alto escalão, de fato essa guitarra é muito bonita, o verniz em PU deixa com ótimo visual e aparência satisfatória, nada que se possa reclamar. Conceito final do acabamento: A+ (Top).




O shape do corpo mantém as características tradicionais de uma Stratocaster Fender genuína, mantendo um ótimo padrão em relação ao design e aparência. Aparentemente, é possível identificar duas peças (blocos) coladas. Conceito final do corpo: A- (Ótimo) 




As madeiras utilizadas no corpo desse instrumento foram minuciosamente selecionadas e assim garantida a qualidade dessa peça, feita em dois blocos de Alder, sim Alder! O braço em Maple oriental (madeira lindíssima e cuidadosamente selecionada) recebe o complemento da escala em Rosewood, assim como da espécie Jacarandá, recebe com destaque os graves.  O corpo é uma junção de duas peças, sem necessidade de receber aquela lâmina para disfarçar imperfeições ou os indesejáveis vários blocos colados de madeira. Conceito final das madeiras: A- (Ótimo)




O braço é confortável e bem construído, deixando a guitarra com ótima pegada e desempenho satisfatório. A escala em Rosewood/Jacarandá reforça os graves, deixando o timbre mais encorpado e gordo facilitando o sustain. Conceito final do braço: A- (Ótimo). Uma guitarra com boas referências e características positivas, só deixa mais prazeroso o manejo e a execução dela, sendo ressaltada a boa tocabilidade. Conceito final de tocabilidade: A- (Ótimo). 




Sobre o histórico passado da guitarra, infelizmente não tenho nenhuma referência dessa série produzida pela Golden nos anos 80', ainda mais para desmistificar esse mito de ser realmente brasileira ou se foi importada. Muitas pessoas costumam associar as Golden como instrumentos ruins, mal acabados e mal construídos, não se enganem amigos, ela é ótima e tem construção acima da média da maioria dos padrões (ou falta de padrões) das guitarras produzidas no Brasil, especialmente pela Golden. A guitarra tem ótimo custo X benefício, infelizmente, mais um exemplo de instrumento subvalorizado em nosso país, embora eu tenha a certeza de que poucas pessoas tiveram a oportunidade de tocar ou testar uma igual. Pela raridade do exemplar adquirido recentemente, ganha conceito final do histórico um majestoso A- (Ótimo).




Conforme já escrito anteriormente, o headstock recebeu atenção especial sendo recortado no mesmo padrão das Fender pré CBS (Small Headstock) evidenciando toda a beleza da peça, embora o logotipo "Golden" ainda assuste muita gente. Conceito final do headstock: A- (Ótimo).




Outro ângulo desse belíssimo instrumento feito sobre o que existe de melhor, que conforme comentei antes, deve ser garimpado nos melhores sites de vendas com a maior paciência possível e lapidado com o melhor hardware que nosso bolso permite conseguir: captadores em alnico, ponte big block e tarrachas com trava.